Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 13.08.2010 13.08.2010

A Turma do Mauricio de Sousa

Por Bruno Duarte
Foto de Tomás Rangel

Mauricio de Sousa é um cartunista que dispensa apresentações. Basta dizer as palavras mágicas Turma da Mônica e lá se vão as incontáveis recordações das histórias dos amigos da menininha baixinha, dentuça, de vestido vermelho e coelhinho azul na mão, que há 40 anos fazem parte da vida de milhões de crianças e da memória de muita gente grande.

Mauricio nasceu em 1935, na pequena cidade de Santa Isabel, município com menos de 50.000 habitantes no estado de São Paulo, mas sua família logo se mudou para Mogi das Cruzes. Passou parte da infância na capital paulista, onde seu pai trabalhou como radialista. Enquanto estudava, trabalhou em rádio, no interior, onde também ensaiou números de canto e dança. Ainda em Mogi começou a fazer suas ilustrações em jornais da cidade, mas era na capital que o cartunista enxergava a possibilidade de apresentar seus trabalhos aos jornais de maior circulação e às grandes editoras.

A oportunidade de publicar seus desenhos não veio fácil. O mercado não estava tão aberto assim ao trabalho de um desenhista que iniciava sua carreira àquela época. Interessante o fato de, apesar de seus desenhos não terem sido aceitos, o jovem Mauricio foi convocado para uma vaga de repórter policial no jornal Folha da Manhã.

A aventura policial durou cinco anos, tempo que Mauricio conseguiu resistir ao seu chamado para as artes. Em 1959 deixou-se levar pelo traço e apresentou sua primeira série de quadrinhos ao jornal onde trabalhava. A tirinha trazia o cãozinho azul Bidu e seu dono Franjinha. Tirinhas aceitas e publicadas, a partir daí foram dez anos de colaboração em variados jornais e inúmeros personagens criados. Além da galera que vive aprontando pelo Bairro do Limoeiro, surgiram, entre outros, Chico Bento, a Turma do Penadinho, Horácio, Raposão, Astronauta e a Turma da Mata, com o ilustre elefante verde Jotalhão

Assumindo seu espírito empreendedor, Mauricio lançou as revistas em quadrinhos da Turma da Mônica nas bancas com tiragem inicial de 200 mil exemplares. Dois anos depois já estavam no mercado as revistas do Cebolinha, seguida por Cascão, Magali e Chico Bento. A qualidade dos quadrinhos aliada ao tino para os negócios do cartunista proporcionou a tradução das historinhas para 14 idiomas – o sucesso da turminha já está presente em mais de 40 países – e rendeu inúmeros licenciamentos de produtos, animações, programas para a TV e filmes. Um bom exemplo da internacionalização da Turma da Mônica é experiência de inserção no mercado chinês. O material didático de um programa de alfabetização com 180 milhões de crianças chinesas foi produzido a partir das historinhas da Turma.

A inserção de novos personagens dá frescor às historinhas que, além do viés educativo, aborda questões da hora. Entre as experiências de sucesso estão os personagens inspirados no Rei Pelé, em Ronaldinho Gaúcho e Luca – um menininho que é cadeirante. 


Em 2008, o autor inovou e lançou a Turma da Mônica Jovem com os personagens crescidos em versão mangá. A fim de abordar temas ligados à juventude, como a prevenção ao uso de drogas, a sexualidade e as transformações no corpo trazidas pela adolescência, Mauricio lançou recentemente os livros Coisas que os garotos devem saber e Coisas que as garotas devem saber (Editora Melhoramentos), onde Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão passam por novos conflitos.

O sucesso de Mauricio de Sousa está intimamente ligado ao talento que tem em lidar com os assuntos que interessam ao seu público. Presente no imaginário de quatro gerações os personagens da Turma que nasceram nas tirinhas de jornal, viraram desenho animado nos anos 1980, ganharam um parque temático nos anos 1990, e hoje passa pelo processo de internacionalização e adequação às novas tecnologias. 

> Assista à entrevista exclusiva com o cartunista Maurício de Sousa, criador da empresa que mais licencia personagens no Brasil, com mais de 2.000 produtos que levam os nomes da Turma da Mônica, e é responsável pelo sucesso editorial das revistinhas e almanaques que iniciaram e continuam iniciando o hábito da leitura em crianças e jovens no Brasil e ao redor do mundo.


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