Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.08.2012 24.08.2012

“”A Tati é muito politicamente incorreta”, diz Heloísa Périssé sobre sua personagem

Em 2000, a comediante Heloísa Périssé (Muita Calma Nessa Hora) criou a adolescente Tati para fazer graça com as típicas crises dessa faixa etária: dificuldades de comunicação com a mãe, rixas com colegas de escola e as primeiras descobertas amorosas. “A Tati é muito politicamente incorreta”, disse a atriz em bate-papo com a imprensa sobre o lançamento do filme O Diário de Tati. A produção estreia dia 24 de agosto.
 
As primeiras ideias do que iria se tornar Tati começaram com experiências em família. “Eu tinha uma enteada, na época com 14 anos, e eu era só 16 anos mais velha do que ela”, explica. “A gente conversava sobre os casos dela, e eu achava aquilo tudo hilário”.
 
Depois de alguns testes com amigos e colegas de trabalho, a personagem estreou quase simultaneamente na televisão – na Escolinha do Professor Raimundo – e no teatro. “A Ingrid [Guimarães] me motivou a colocar a Tati no Cócegas, em 2001”, afirmou. “A peça teve uma crítica maravilhosa”.
 
Com o passar dos anos, a garota ganhou o mundo literário com o lançamento de O Diário de Tati. A adolescente também passou por mudanças em sua carreira televisiva. Ela saiu da Escolinha do Professor Raimundo para estrelar um quadro próprio no Fantástico. Foi nessa época que surgiu a ideia de explorar a faceta cinematográfica de Tati.
 
Marcelo Adnet interpreta o professor particular de Tati
 
“A gente intuiu que a personagem poderia render um filme de sucesso”, falou o diretor Mauro Farias (Sob Nova Direção). “Ela tem empatia grande. Tem o público adulto e o público adolescente que pode se ver ali e achar divertido”.
 
Em sua aventura na tela grande, Tati está dividida entre as dificuldades da vida estudantil e os dilemas amorosos. “O Diário de Tati é um filme feito de maneira simples”, avalia o cineasta. “É uma aposta no roteiro, na brincadeira. Ele não trai tudo o que já foi feito com a personagem”.
 
O peso dos anos
 
O papel é novamente vivido por Périssé, que tem idade para ser mãe de Tati. A diferença da faixa etária entre atriz e personagem foi pensada pela equipe do filme. “Houve essa preocupação porque o cinema geralmente trabalha com um registro mais realista”, explica Mauro. “A personagem é uma caricatura, sempre foi. O cinema pode lidar com isso. Sem deixar de lado que a gente está fazendo uma brincadeira sobre a adolescência”.
 
“A graça da Tati é realmente não ser uma adolescente”, defende Heloísa. “É lúdico, não tem esse compromisso”.
 
Gregório Duvivier, Thaís Fersoza e Marcelo Adnet contracenam com Heloísa Périssé
 
Desde o fim das gravações até o lançamento do longa, passaram-se seis anos. “Não foi fácil conseguir o patrocínio para a pós-produção e enfrentamos questões burocráticas para conseguir distribuição”, disse Farias.
 
O longo hiato é percebido na tela: Tati é diferente das adolescentes de hoje, não usa redes sociais e não possui um smartphone. “A forma das coisas realmente muda, mas a essência é a mesma”, relatou Périssé. O diretor concorda com a atriz no assunto. “Falamos sobre um tema que sempre existiu: a crise da adolescência e a comédia que vem dessa crise”, afirmou.
 
Por outro lado, nesses anos, alguns acontecimentos podem favorecer a carreira da produção no cinema. Alguns atores do elenco ficaram muito mais famosos do que eram na época das gravações. É o caso de Marcelo Adnet (As Aventuras de Agamenon, o Repórter), Gregório Duvivier (O Homem do Futuro), Thaís Fersoza (Gatão de Meia Idade) e Pedro Neschling (Aline). “O Adnet é hoje quase o dono da MTV”, brinca Heloísa. “Isso foi uma sorte do filme: o personagem esfriou, mas o elenco não”, rebate o diretor.
 
 
Assista ao trailer de O Diário de Tati:
 
 
 
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