Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 23.09.2010 23.09.2010

A suprema felicidade, de Jabor, abre 12º Festival do Rio

Por Eduardo Simões
Fotos de Divulgação

A 12ª edição do Festival do Rio, que começa hoje, e vai até o dia 7 de outubro, reforça seu papel de importante vitrine do cinema nacional – são 60 produções brasileiras inéditas, boa parte delas na Première Brasil – com o lançamento de A suprema felicidade, primeiro filme de Arnaldo Jabor após um hiato de 20 anos longe dos sets. Um elenco estelar, que inclui Marco Nanini, Ary Fontoura, Elke Maravilha (foto) e João Miguel, leva às telas personagens e lembranças da infância de Jabor e do Rio dos anos 40. Com sessão de gala hoje à noite no Odeon, o filme só estreia no dia 29 de outubro em circuito comercial. Outro destaque é Somewhere, filme que rendeu à diretora Sofia Coppola o Leão de Ouro no último Festival de Veneza.

O tamanho do festival continua o mesmo: mais de 300 filmes distribuídos em 18 mostras – como as tradicionais Panorama Mundial, Expectativa, Première Latina, Midnight Movies etc. – e duas novatas que chegam agora à sua segunda edição: Meio Ambiente, sobre temas ecológicos e sociais, e O Brasil do Outro, que traz visões do pais sob a perspectiva de estrangeiros. E duas seções novas: Itinerários Únicos, que vai exibir 14 longas sobre artistas presentes no inconsciente coletivo, entre eles Picasso & Braque go to the Movies, de Arne Glimcher e Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child, de Tamra Davis. E Web Doc, que traz quatro produções realizadas na web para transmissão na televisão.

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A Argentina é o país em foco, com mais de dez produções recentes, entre elas Viúvas sempre às quintas, de Marcelo Pineyro, Carancho, de Pablo Trapero, e Dos Hermanos, de Daniel Burman. Outras homenagens incluem retrospectivas dos diretores Bruno Dumont e Amos Gitaï. 


PREMIÈRE BRASIL

A mostra competitiva Première Brasil traz 17 longas e 21 curtas-metragens brasileiros concorrendo ao troféu Redentor nas categorias Longa de Ficção, Longa Documentário, Curta, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro, Montagem e Fotografia, além do Prêmio Especial de Júri e Melhor filme escolhido pelo público.

São nove filmes de ficção concorrendo neste ano: Além da estrada, de Charly Braun, Boca do Lixo, de Flavio Frederico, Como esquecer, de Malu de Martino, Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte, Malu de bicicleta, de Flavio Tambellini, Riscado, de Gustavo Pizzi, O senhor do labirinto, de Geraldo Motta, Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos, e VIPs, de Toniko Melo. 

Já a lista de oito documentários em competição traz Diário de uma busca, de Flávia Castro, É Candeia, de Márcia Watzl, Histórias reais de um mentiroso, de Mariana Caltabiano, Memória Cubana, de Alice de Andrade e Ivan Nápoles, Noitada de sambafoco de resistência, de Cély Leal, Positivas, de Susanna Lira, Santos Dumont: pré–cineasta?, de Carlos Adriano, e Solidão e fé, de Tatiana Lohmann.

PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL

A mostra exibirá mais de 70 filmes, muitos deles premiados nas últimas edições dos mais importantes festivais de cinema do mundo, caso de Somewhere, de Sofia Coppola, vencedor do Leão de Ouro. E ainda Tio Boonmee que pode recordar suas, de Apichatpong Weerasethakul, e Turnê, de Mathieu Amalric, respectivamente vencedores da Palma de Ouro e do Prêmio de Melhor Direção no último Festival de Cannes.

A seção, uma das de maior apelo junto ao público, trará ainda os mais recentes trabalhos de Woody Allen (Você vai conhecer o homem dos seus sonhos), Ken Loach (Route Irish), Michael Winterbottom (The killer inside me), Todd Solondz (A vida durante a guerra), Zhang Yimou (A woman, a gun and a noodle shop), e Mika Kaurismäki (O ciúme mora ao lado). 

FOCO ARGENTINA

Além dos últimos trabalhos de diretores argentinos consagrados, como Marcelo Piñeyro e Daniel Burman, a mostra apresenta longas de grande expectativa, como Norberto apenas tarde, primeira incursão na direção do ator fetiche de Burman, Daniel Hendler. Outro destaque será a vinda do diretor Pablo Trapero, que virá ao Rio para apresentar Carancho, exibido no último festival de Cannes, e que tem no elenco Ricardo Darin. Trapero irá ainda receber o prémio de personalidades do cinema latino, concedido pela Federação internacional de Críticos (FIPRESCI).

EXPECTATIVA

São 40 títulos de diretores ainda não consagrados, mas que já estão chamando atenção do público e da crítica por onde passam. Caso de três produções exibidas em Cannes: Kd vc?, de David Verbeek, Terça depois do Natal, de Radu Muntean, Adrienn Pál, de Ágnes Kocsis, e Filho terno – O projeto Frankenstein, de Kornél Mundruczó. E ainda de Eu, também, de Álvaro Pastor, que levou os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator no Festival de San Sebastián, e King’s road, de Valdis Oskarsdottir, exibido no Festival de Locarno de 2010. A mostra tem ainda uma preciosidade: O último sonho de Pina Bausch, de Rainer Hoffmann e Anne Linsel, que traz os últimos registros da coreógrafa alemã, morta no ano passado.

MIDNIGHT MOVIES

A mostra dedicada aos filmes mais experimentais, alternativos e, por que não dizer, bizarros, tem como destaque neste ano documentários Nossa vida exposta, de Ondi Timoner, grande prêmio do Júri de Melhor Documentário em Sundance 2009, Rush: Além do palco iluminado, de Scot McFadyen e Sam Dunn, sobre a banda canadense, e Ride rise roar, de David Hillman Curtis, sobre uma viagem ao mundo musical de David Byrne. Uma das sessões mais concorridas será, certamente, a de Machete, último filme de Robert Rodriguez. 

GAY

O maior apelo da mostra são os filmes que têm pouca chance de chegar ao circuito comercial. Títulos como O fio, de Mehdi Ben Attia, com Claudia Cardinale, Anfetamina, de Scud, exibido no Festival de Berlim 2010, e ainda O amor, e basta, de Stefano Consiglio, e O aniversário de David de Marco Filiberti, com o modelo brasileiro radicado na Itália, Thyago Alves, ambos vistos no Festival de Veneza 2009.

PREMIÈRE LATINA

A seção traz, em 2010, não somente produções dos vizinhos Chile, Uruguai, Colômbiae (um pouco mais adiante) México, mas também co-produções entre países com menos tradição cinematográfica, caso da Costa Rica, do Paraguai e da Venezuela. Um título no mínimo curioso é o documentário Jules Rimet: A Incrível História da Copa do Mundo, de Filipo Macelloni, Lorenzo Garzella e César Meneghetti, que conta a trajetória da taça de ouro até sua transformação em barras de ouro na década de 80! Entre os filmes exibidos em festivais mundo afora, A vida dos peixes, de Matías Bize, Zona Sur, de Juan Carlos Valdivia, vistos em Sundance e Berlim, Agua fria do mar, de Paz Fábrega, e (Des)norteado, de Rigoberto Perezcano, ambos apresentados no Festival de Roterdã.

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Somewhere de Sophia Coppola

Machete de Robert Rodriguez


Rush: além do palco iluminado
de Scot McFadyen e Sam Dunn


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