Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 19.01.2012 19.01.2012

A sensual “Segunda Pele” de Roberta Sá

Por Felipe Candido
 
No dia 24 de janeiro chega às lojas Segunda Pele, o quinto CD de Roberta Sá (quarto de estúdio) e, com ele, uma nova Roberta se apresenta para seu público.
 
Mais madura, sensual, alegre e divertida, a cantora celebra o carnaval, os compositores contemporâneos e uma volta a seu universo particular.
 
A Volta
 
Para Roberta Sá, Segunda Pele marca uma grande volta. “Esse disco marca uma volta a um aspecto mais abrangente, após um trabalho focado na obra de um único compositor, que é o Roque Ferreira (Quando o Canto é Reza, de 2010), que trata também de um universo específico, que é o Recôncavo Baiano; volta ao trabalho com o produtor Rodrigo Campelo, com quem trabalhei nos meus discos anteriores, e aos compositores de minha geração”, afirma a cantora.
 
E, dentre seus contemporâneos, Roberta reuniu um time de craques da composição para figurar na ficha técnica do disco.
 
Nomes como Lula Queiroga, Dudu Falcão, João Cavalcanti (filho de Lenine e vocalista do grupo Casuarina), Rubinho Jacobina, Carlos Rennó, Gustavo Ruiz, Moreno Veloso, entre outros, além de uma parceria de Pedro Luis com a própria Roberta, estão no repertório do CD, assinando músicas inéditas.
 
Além dos compositores brasileiros, Roberta Sá se arriscou pela primeira vez a gravar uma canção em outro idioma e, para isso, escolheu uma música de um compositor uruguaio, que, segundo a cantora, faz parte dessa mesma turma. “O Jorge Drexler, em âmbito universal, faz parte dessa mesma geração de ótimos compositores novos, que cantam a sua geração, o mundo contemporâneo. Além disso, tive o imenso prazer de poder gravar com ele a linda canção que ganhei”, conta.
 
 
O passeio de Roberta pelo mundo incluiu uma passada pelos ritmos africanos, em especial pela Kora, instrumento típico de Mali, que empresta os contornos e sonoridades inesperadas para uma canção de Lula Queiroga.“Ficamos encantados com essa sonoridade diferente e deslumbrante. A beleza de fazer um disco mora aí. Há de se abrir espaço para a novidade e a surpresa”, afirma.
 
Além das canções inéditas, Roberta fez duas regravações no novo CD, uma do grande mestre do samba, Wilson Moreira, que fecha o disco e que para a cantora, é um ponto de mansidão na obra. “No meio do deserto, do mundano, do calor, da agonia, vem essa água fresca. É o lugar que eu almejo, o arrebol que eu quero chegar”, afirma Roberta.
A outra regravação é de um frevo de Caetano Veloso, lançado por Gal Costa na década de 70 do século passado, que evoca o espírito dos carnavais de outros tempos e que Roberta celebra no disco.
 
Os sopros do carnaval
 
Com Segunda Pele, Roberta Sá consegue realizar um sonho antigo, que vinha desde seu primeiro trabalho, Braseiro, de 2005, que era trabalhar com uma orquestra de sopros.
 
Assim, a presença da Orquestra Criôla de Humberto Araújo cria o ar carnavalesco que a cantora queria celebrar.
 
Dentro desse universo de alegria e gandaia, outra característica da cantora, que até então estava encoberta, vem à tona pelo desejo da própria interprete.
 
Uma nova celebração chega com a maturidade da artista, que se revela mais sensual. “Foi como se, junto com meu aniversário de 30 anos, eu tivesse ganhado uma caixinha com a liberdade dentro. Agora não tenho mais tabus. Me permito falar de qualquer assunto. Antes eu parecia uma senhora, agora eu sou jovem”, conta a cantora, aos risos.
 
Assim, mais madura e segura de sua carreira, Roberta Sá passeia por diversos climas de alegria, felicidade e sensualidade, mostrando a mulher que se escondia atrás da imagem de menina romântica. “Mas isso não significa que vou sair por aí louca, tirando a roupa. Mas, pra mim, esse é um disco transformador. Acho que estou mais direta, segura, clara. É como se a pele antiga fosse descamando para dar lugar a uma nova, uma Segunda Pele”, finaliza.
 
 
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