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“A Rua Augusta é um mito”, diz diretor do filme ‘Augustas’

Por Edu Fernandes

 
Alguns lugares da cidade de São Paulo funcionam como símbolos da metrópole. Ao lado da Avenida Paulista e do Parque do Ibirapuera está a Rua Augusta. A via pública é o tema do filme Augustas, que passou recentemente na Mostra Tiradentes (MG) e no Festival Lume (São Luís, MA).
 
O diretor Francisco César Filho (Panorama Histórico Brasileiro) concedeu entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo sobre seu filme. Durante a conversa, o cineasta adiantou em primeira mão que Augustas estreia no final de 2012, com distribuição da Vitrine Filmes.
 
Antes do lançamento comercial, o longa será exibido no Festival Latino Americano, evento organizado por Francisco que acontece em São Paulo de 12 a 19 de julho. “Não acho legal passar Augustas no meu próprio festival, mas o outro diretor insistiu desde o começo do ano”, disse Francisco.
 
O cineasta vê vantagens em fazer sua produção transitar em festivais antes da estreia em salas comerciais. “É uma estrutura de lançamento que eu queria para o filme”, relatou. “Assim, eu encontraria um público ideal nesses eventos de cinema de autor”.
 
Inspirado em A Estratégia de Lilith, Augustas é um projeto antigo. “Em 2002, Alex Antunes materializou-se do meu lado em uma casa noturna e propôs a adaptação do livro dele”, falou. “O que eu admiro no livro é uma captação da energia de São Paulo”.

A história do caso sexual entre um jornalista e uma garota de programa transmite a energia paulistana também nas telas de cinema, especialmente a atmosfera da região conhecida como o Baixo Augusta. “É um filme todo torto, como a cidade de São Paulo”, explica. “Tive a preocupação de ter locações em lugares não muito frequentados”.

Francisco César Filho é fotografado nas locações de Augustas
 
“A Rua Augusta é um mito”, afirma o diretor sobre a fama do local. “As filmagens foram capa de caderno de cultura de jornais em Recife e Brasília”.
 
Antes de o longa começar de fato, é exibido o curta Esta Rua Tão Augusta, feito por Carlos Reichenbach (Falsa Loura) no final da década de 60. O cineasta morreu em 14 de junho, poucos dias antes da projeção de Augustas no Festival Lume.
 
“Quando era programador do MIS ou do CCSP, eu passava esse curta, e o Carlão sempre reclamava porque ele tinha muitas reservas com esse filme”, relata Francisco. “Quando eu pedi para incluir o curta no começo de Augustas, ele concordou com entusiasmo. Por isso, lamento muito que o Carlão não tenha visto o filme pronto”.
 
Mário Bortolotto, Henrique Schafer e Caroline Abras em cena de Augustas
O curta retrata a Rua Augusta da época, quando abrigava lojas de grifes de luxo de dia e a vida boêmia de noite.
 
“O barato da rua é que mesmo se transformando, ela se manteve um território livre, uma redoma dentro da paisagem urbana de São Paulo”, opina. “Pessoas de diferentes classes sociais se cruzam em suas calçadas. A rua exala essa liberdade e essa rebeldia”.

As gravações aconteceram em 2008, quando a rua vivia um novo pico de circulação noturna. 

 
Atualmente, grandes empreendimentos de construtoras e lojas de carros de luxo dividem as calçadas com bares e bordéis. “O filme ganhou um cunho histórico”, disse. “A rua está caminhando num processo de especulação imobiliária que está na cidade inteira. Eu não achei que isso fosse acontecer na Augusta”.
 
As mudanças causam emoções conflitantes no cineasta, um pouco de tristeza ao lado de alguma esperança. “Assim, a Augusta perdeu um pouco de sua personalidade única e fica mais parecida com qualquer outra paisagem urbana”, afirma. “Acho que vai demorar um pouco para mudar o perfil da rua”.
 
 
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