Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 11.09.2013 11.09.2013

À procura do line-up perfeito

Por Vinícius Costa
 
Atrações com estilos musicais muito diferentes tocando em horários próximos; suas duas bandas favoritas tocando ao mesmo tempo em palcos diferentes; correria de um lado para o outro para não perder o começo do show. Quem frequenta os inúmeros festivais de música existentes já deve ter passado por uma dessas situações.
Nos últimos anos, é incontestável o crescimento do mercado de grandes eventos de música por todo o país, principalmente em São Paulo. A cidade virou rota de consagrados eventos, como Lollapalooza, Sónar e, ao que tudo indica, Coachella, que deve chegar no ano que vem.
Mas os festivais criados por aqui não ficam para trás. O SWU surgiu e trouxe nomes de peso em seu line-up. O Planeta Terra fica maior a cada ano e atrai um público diversificado. Fora o Rock in Rio, que hoje é o maior evento de música no Brasil.
No entanto, junto a esses acontecimentos positivos sempre surge a dúvida: quem vai tocar? O line-up, nome dado à escalação das atrações dos festivais, é muito importante. Os fãs esperam ansiosamente o anúncio oficial das produtoras, para saber quais bandas vão tocar. É nesse ponto que costumam ocorrer “erros”.
BRASIL X EXTERIOR
Considerando a tradição na organização de festivais, o Brasil ainda é um país com um background fraco, quando considerados Estados Unidos e Europa. Logo, é impossível não estabelecer uma comparação.
“Os line-ups gringos conseguem ter mais novidades, bandas que estão fazendo sucesso no momento”, explica Nik Silva, redator do site Monkeybuzz. “Até mesmo porque esses artistas, muitas vezes, já adaptam ou pensam em suas turnês contando com a temporada de festivais europeus e norte-americanos. Isso infelizmente não acontece na América do Sul, por não termos essa cultura forte”.
Um exemplo claro de como lá fora os organizadores conseguem escalar grandes atrações é a presença da cantora Lady Gaga no Lollapalooza de Chicago, em 2010. Naquela época, ela estava começando a fazer barulho no mundo da música, mas ainda não possuía a fama de hoje. Quando se tornou conhecida no Brasil, Gaga já era uma popstar no exterior, impossibilitando sua vinda para um festival por aqui.
“Mas não necessariamente o que vem pra cá é ‘pior’ do que o que rola lá fora”, adiciona o redator do site Monkeybuzz.
MISTURA DE ESTILOS
Segmentar o público está cada vez mais difícil, por esse motivo ainda há muitas reclamações quando a mistura de estilos é grande. Nesse caso, o mais apontado é o Rock in Rio, que em toda edição sofre críticas.
Fãs mais saudosistas acreditam que o evento não tem mais nada de rock. Apesar de escalar grandes nomes desse gênero musical, também aposta em artistas pop, como na edição deste ano, que tem a cantora Beyoncé como uma das headliners. A solução encontrada foi dividir os estilos por dias ou finais de semana.
 
Festivais nacionais e 'importados' fazem sucesso no país

“Mercadologicamente, o Rock in Rio é o melhor festival do Brasil. A divisão de estilos por dia pode ajudar as pessoas a aproveitarem melhor, por mais que não venham a ter uma experiência de festival completa. No entanto, não vejo isso como um problema", afirma Silva.

Para o jornalista André Felipe, que também escreve para o site Monkeybuzz, os eventos de música realizados aqui ainda "deslizam" em seus line-ups. “Vale tanto para aqueles que querem ver só os headliners e precisam aguentar várias outras atrações quanto para os que querem curtir o festival como um todo e precisam justamente aguentar o público de headliners ocupando espaço em frente aos palcos”.
Laís Gottardo, frequentadora assídua desses eventos, gosta dessa mistura. “Curto ver estilos diversos em festivais. Às vezes, você está no meio de um gap do line-up e descobre uma banda nova. Além disso, a pluralidade é essencial para que mais pessoas tenham suas vontades atendidas. É muito egoísmo querer só o estilo que você curte em eventos que chegam a ter três dias de duração”.
QUANDO A DISTÂNCIA É LONGA E O TEMPO É CURTO
Embora os festivais estejam cada vez maiores, seja em número de espetáculos ou no tamanho do espaço onde são realizados, as atrações acabam sofrendo com a divisão de palcos. Considerando esses aspectos, um erro comum é o horário das apresentações.
“Isso atrapalha muito! Não só a questão de muitas bandas no mesmo horário, como em horários próximos”, diz Laís. Ela já passou por "perrengues" para conseguir ver suas bandas favoritas.
"No Lollapalooza de 2012, assisti ao show do MGMT e tive que sair correndo para pegar o início do Foster The People, que emitia seus acordes iniciais com o show do MGMT ainda rolando. Acontece que os palcos ficavam em extremos do Jockey, meu namorado e eu saímos em disparada", narra Laís.
Fernando Scoczynski, jornalista do site Antiquiet, também enxerga o número elevado de atrações como algo negativo. “Aprecio a variedade, mas não ao custo de diminuição do tempo dos shows ou horários em conflito”. Em relação às divisões das bandas pelos palcos, ele é direto: “Acredito que falta um planejamento maior por parte dos organizadores”.
ERROS NO LINE-UP 
Veja abaixo alguns erros que já aconteceram.
 
– Biquíni Cavadão se apresentando entre as bandas De Falla e Alice in Chains no Hollywood Rock, em 1993. Um peixe fora d'água;
– Carlinhos Brown no dia do rock, no Rock in Rio 2001. O resultado foi desastroso, com direito a muitas vaias;
– Queens of the Stone Age tocando no mesmo palco que Avenged Sevenfold e Linkin Park, em 2010, no SWU. O público das duas últimas bandas não combina com o estilo do QOTSA;
– Sepultura no Rock in Rio 2011 tocando no palco Sunset, enquanto a banda Glória se apresentava no palco principal. Era melhor ter invertido, evitando assim as vaias do público que estava concentrado no palco principal para ver mais tarde bandas como Slipknot e Metallica;
– Kings of Leon e The Gossip tocando no mesmo horário no Planeta Terra 2012. As duas bandas eram headliners do festival, ou seja, o público teve que escolher qual show assistir;
– Avenged Sevenfold abrindo para o Iron Maiden no Rock in Rio deste ano. Os fãs de uma banda dificilmente gostam da outra (ou até odeiam);

 

Na edição de 2012 do Planeta Terra Festival, as bandas headliners Kings of Leon e The Gossip tocaram ao mesmo tempo, em palcos diferentes
 
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