Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 20.01.2011 20.01.2011

A palavra toda para o Rio


Por Chacal 

O Rio estava com saudade dele mesmo. Aquilo que as circunstânciassepararam, volta organicamente a se juntar. A cultura carioca não pode viversem ser completa. Fica faltando. O Rio sempre foi uma cidade inclusiva, sede dacorte imperial, capital da república até a invenção de Brasília. Uma cidadeacima de tudo cosmopolita. 

O Rio sempre foi bom alquimista. Do samba-jazz da bossa nova aosamba-rock de Jorge Benjor, ao beat-modernista da poesia marginal, às reuniões deVilla-Lobos, Bandeira, Pixinguinha, Almirante na casa de Tia Ciata. Do rapsamba funk de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Marcelo D2 à incorporação dacultura hip-hop pelos nossos mestres Heloisa Buarque e Hermano Vianna. O Rionão precisou de nenhum manifesto modernista. Já tínhamos Noel Rosa. 

Uma cidade que sempre esteve próxima à palavra viva com suas rodas desamba, seu partido alto, à grandeza de Vinícius falando seus poemas na noite deCopacabana, à fala em delírio dos poetas marginais dos anos 70 ao rap de D2, BNegãoe BlackAlien das Batalhas do Real e do Zoeira Hip-Hop na Lapa dos anos 90.Uma cidade assim pede um festival à altura. A PALAVRA TODA vem suprir esta demanda.

A palavra em seus muitos suportes, em seu mais diverso repertório. Espanando obolor dos puristas, incorporando outras linguagens com a música, o teatro, omundo digital, A PALAVRA TODA mistura.Mistura a academia com a rua, as mais diversas gerações, mistura a “alta” e a“baixa” cultura, apresenta as diferenças para que nesse atrito, nessa troca, acultura da cidade volte a fluir.

A palavra poética se tornou muito estigmatizada nesse tempo audiovisuale assim como a cidade de tempos atrás, se bifurcou entre guetos distintos ecoisa de especialistas. Mas inspirado nos novos rumos do Rio, juntamos todas aspontas, convocamos suportes que sempre tiveram forte relação com a palavra comoa canção e o teatro e invadimos o Espaço Sesc, em Copacabana. Nos dias 24 e 25um sem-número de poetas de todas as tribos, dos 70, 90 e 00, do rap ao repente,do hip-hop à academia, enfim um batalhão de gente do verbo, da cena e do ritmopara dar força a um unificado e pacificado Rio de Janeiro, dar sentido a esseverão. Ou não. 

O Rio tem uma riquíssima tradição no uso da palavra. Seja ela cantada,entoada, falada ou escrita. Aqui nasceram e viveram nossos grandes poetas,músicos e compositores. Do samba à bossa nova, do modernismo à poesia marginal,do neoconcretismo ao tropicalismo, de Nelson Rodrigues ao Asdrúbal Trouxe oTrombone, todos se inspiraram nessa topologia única de montanhas que deságuamno mar.  

O Rio sempre foi uma cidade festiva e festeira, de muitos e brilhantesfestivais. Durante o verão então, entre turistas de todo lugar, a cidaderegurgita sua cultura e natureza nas praias, nas noitadas da Lapa e ensaios dasescolas de samba. Rio 40º. Se o Rio comemora a possibilidade de vir a ser umacidade una, com o direito de ir e vir e de circular por sua imensa geografiacultural, a palavra não pode ficar de fora. Agora que a cidade segue em novadireção, a palavra, padroeira do sentido, instrumento maior de expressão ecomunicação, quer estar junto. Agora o Espaço Sesc abre sua gloriosa arena efoyer para um esperado festival de poesia. 

A PALAVRA TODA é o festival de poesia que faltavapara a cidade. O Rio é poesia, o Rio é A PALAVRA TODA.

 

Um evento sobre a palavra e todas as suas formas e formatos políticos, sonoros, visuais, performáticos e digitais, A Palavra Toda acontece no Teatro do Sesc Copacabana, Rio de Janeiro, nos dias 24 e 25 de janeiro. 

Confira a programação.


Recomendamos para você