Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 31.01.2014 31.01.2014

A música para Iemanjá além dos atabaques e agogôs

Por Felipe Candido
 
“Dia dois de fevereiro, dia de festa no mar”, como bem cantou Dorival Caymmi em canção que retrata a fé do povo baiano na Rainha do Mar.
Iemanjá é um orixá da tradição afro-brasileira, talvez a mais conhecida, mesmo por não praticantes das religiões de matriz afro. Quem nunca desejou boa sorte na virada do ano, enquanto oferecia flores à beira do mar?
A música brasileira, que tem grande influência das tradições africanas, também rendeu diversas homenagens a Iemanjá. Os mais variados nomes da MPB já cantaram sua fé, seu respeito.
O já citado Dorival Caymmi, com relação estreita com o oceano, talvez tenha sido o compositor que mais exaltou a Rainha do Mar em sua obra. Mas também Maria Bethânia, Clara Nunes, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Leci Brandão, Pixinguinha, Vinícius de Moraes e muitos outros artistas deram voz a canções sobre os encantos da Sereia.
Mas não é só ao som dos tambores de origem africana que Iemanjá baila na música brasileira. Muitos artistas, com diferentes influências musicais, também prestaram suas homenagens, com canções tão diversificadas sonoramente quanto a própria música popular brasileira.
O SaraivaConteúdo selecionou cinco músicas que homenageiam Iemanjá e que percorrem diversos caminhos musicais:
NAS ONDAS DO REGGAE
 
Chimarruts 
 
Originária do Rio Grande do Sul, a banda Chimarruts levou Iemanjá para sentir as vibrações do Reggae em seu primeiro álbum.
O disco, também chamado Chimarruts, lançado em 2002, trazia a faixa “Iemanjá”, que se tornou um dos maiores sucessos da banda. A canção também foi registrada no primeiro DVD ao vivo dos músicos, Chimarruts – Ao Vivo (EMI MUSIC).
 
 
NO EMBALO DAS CORDAS
Recém-lançado em janeiro de 2014, o novo disco de Carlinhos Brown também traz uma ode inusitada a Iemanjá.
 
O álbum Marabô traz logo em sua abertura a faixa-título, parceria de Brown com Saul Barbosa, em que os compositores louvam o encanto da Rainha do Mar.
Apesar de Brown ser mestre das percussões, a canção ganha contornos mais suaves, emoldurada por cordas, que acabam conferindo um clima quase erudito para o canto afro de saudação à deusa, na voz do artista baiano.
 
 
A DOÇURA NA VOZ
Se Brown escolheu as cordas para deixar sua “Marabô” mais suave, o canto doce de Luiza Possi encontrou o piano como parceiro perfeito para reviver as canções “Gandaia das Ondas/Pedra e Areia” – lançadas originalmente por Lenine – com citação de um tradicional canto religioso, chamado “Iemanjá”. 
 
Luiza Possi
O registro foi feito no DVD A Vida É Mesmo Agora (Som Livre), primeiro trabalho ao vivo de Luzia, lançado em 2007.
 
 
ENTRE GUITARRAS DISTORCIDAS E TAMBORES
O trio sensação da música paulistana nos últimos anos, Metá-Metá – formado por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França –, tem parte de seu trabalho calcado na influência das tradições afro-brasileiras. Mas isso não significa que eles fiquem imersos exclusivamente nos tambores tradicionais.
 
Metá-Metá
Com influências musicais bem diversificadas entre os integrantes, o rock’n’roll é um dos motores do grupo. Quando saúdam Iemanjá no seu segundo disco, MetaL-MetaL, de 2012, com a música “Rainha das Cabeças”, o que se ouve é uma profusão sonora, ancorada em guitarras, saxofone distorcido, bateria e vocais acelerados.
 
 
UM MAR DE AZUL
Assim como a música, as cores também são de extrema importância nas tradições afro-brasileiras. Para Iemanjá, ficou reservado o azul. E é a partir daí que o compositor Péricles Cavalcanti desenvolveu a ideia para homenagear a senhora das águas salgadas.
Buscando o aspecto sagrado da cor, o autor traçou um paralelo entre o tom azul consagrado à deusa dos mares e o tom de pele de Krishna, o jovial Deus hindu da música. A canção, como não poderia deixar de ser, trilhou caminhos pelas pegadas do blues.
“Blues”, como a canção foi batizada, ganhou recente registro da cantora Céu no disco-tributo Mulheres de Péricles (Jóia Moderna/Tratore), no qual jovens cantoras da música brasileira fazem novas versões de canções do compositor.
 
 
 
 
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