Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 22.01.2013 22.01.2013

A fotografia da alma de Bruna Caram

Por Diego Garcia Bem
 
Depois do introspectivo álbum de estreia, Essa Menina, e do ousado Feriado Pessoal, a cantora paulista Bruna Caram lança o seu terceiro trabalho, Será Bem-Vindo Qualquer Sorriso, considerado como um disco de mudanças.Nesta entrevista, Bruna explica sobre sua boa fase musical e seu amadurecimento profissional.
Neste novo trabalho, Bruna aposta em canções alegres e com letras otimistas, que ela define como uma positividade natural. “Desde o começo, eu queria que o disco registrasse um frescor, uma liberdade e serenidade. Cantar é completamente autobiográfico, canto exatamente o que eu sinto”, ressalta.
Além das composições novas, a cantora sempre gosta de regravar músicas antigas. Neste trabalho não foi diferente. Com arranjos que visam evidenciaras letras das canções, no disco destacam-se“Flor do Medo”, de Djavan, e “Minha Teimosia Uma Arma Pra Te Conquistar”, de Jorge Ben Jor.“Nos outros discos, tinha medo.Me cobro muito e preciso ter certeza de que minha gravação vai ter uma identidade forte; caso contrário, não gravo de jeito nenhum”, explica a artista.
Ela diz que está mais segura para fazer regravações. “Em nenhuma outra época teria gravado Ben Jor, Djavan e, de repente, já tinha até os arranjos em mente, ambos bem diferentes dos originais e vigorosos”.
Entre essas novas versões, Bruna grava pela primeira vez uma canção do compositor Zé Rodrix e ficou encantada ao conhecer mais de sua obra. “É um tesouro que achei e que quero cantar.Quero cantar tudo dele”. A canção “Não Perca o Final” é uma música pouco conhecida do compositor e que teve a aprovação da filha dele, Gabriela Rodrix, ainda no estúdio.
Nas onze faixas que compõem a obra, Bruna consolida a parceria com alguns compositores, como é o caso de Pedro Viáfora, Dani Black, Caetano Veloso e Djavan, e agrega outros. “Felizmente, a cada disco acrescento novos nomes a essa lista, de encontros da estrada, como agora vêm deliciosamente Mallu (Magalhães), Pedro Luís e Paulo Novaes”, diz a artista. Ela completa que, embora componha, ama garimpar canções e ser porta-voz do compositor.
A partir deste álbum, Bruna Caram admite que também é letrista e que isso a molda como a cantora que ela é. Ela declara que seu canto se pauta pela letra, mas não só por ser intérprete,e sim porque é uma intérprete que escreve. “Teço as letras, bordo, mastigo, saboreio, meu cantar vive nas letras das canções”, esclarece.
“Gosto de compor, mas não tenho um processo específico, quase componho sem querer”, diz Bruna sobre suas criações. Ela comenta que tem se aventurado mais, troca letras e chama parceiros, mas admite que sempre teve medo de se assumir compositora. “Já tirei algumas travas, mas ainda faltam algumas”.
A artista considera a letra mais importante que a melodia. Por isso, faz uma peneira nas canções que grava. Assim, ela esclarece o fio condutor das letras do novo álbum, que foi feito durante uma série de mudanças pelas quais ela passava. “O disco é uma fotografia de alma, e esse disco me fotografa em cheio”, diz.
“Procurei as canções de acordo com as letras, queria meus sentimentos expressos palavra por palavra”, complementa a cantora, que também se guiou pelo seu lado letrista-escritora para encontrar canções que fossem mais fiéis ao seu jeito e ao que ela tinha a dizer. “Fui percebendo, durante a produção, que havia, em algumas letras, força e sensualidade; em outras,uma doçura e uma leveza quase infantis. Esses dois lados são um retrato meu”, argumenta.
Será Bem-Vindo Qualquer Sorriso 
 

 
 
 
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