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A força e a dor feminina

Por Edu Fernandes
 
Um dos maiores sucessos de carreira da atriz e diretora libanesa Nadine Labaki foi Caramelo (2007), em que contava as histórias de várias mulheres que frequentam o mesmo salão de beleza. Anos depois, ela lança E Agora, Aonde Vamos?, que entra em cartaz com pré-estreias a partir de 9 de novembro no Brasil.
 
Em seu mais recente filme, as personagens principais também são do sexo feminino. Em um vilarejo isolado do Líbano, a paz reina entre os praticantes de diferentes fés. Porém, as mulheres temem que esse período termine quando os homens descobrirem os conflitos que estão ocorrendo na cidade grande. 
 
Elas então se unem para que seus maridos e familiares não saibam o que está acontecendo na capital. Para garantir a ignorância dos homens a respeito desse assunto, elas fazem de tudo: desde recortar os jornais e sabotar aparelhos de televisão, até tomar medidas mais extremas, que não vale a pena adiantar por aqui antes que o leitor assista à produção.
 
Quando se assiste a E Agora, Aonde Vamos?, é impossível não lembrar de outro filme com essas mesmas características: A Fonte das Mulheres (2011). Ambas as produções trazem mulheres unidas contra os homens por um bem maior em um pequeno vilarejo no mundo árabe, com cenas musicais aqui e ali para animar a ação. Nadine confessa que a comparação é recorrente, mas que não assistiu ao longa.
 
Personagens de 'E Agora, Aonde Vamos?'
 
Labaki esteve no Brasil em agosto para promover a exibição de E Agora, Aonde Vamos? no Festival Varilux de Cinema Francês. Na ocasião, a cineasta concedeu uma entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo. Nadine falou sobre seu último filme, planos para o futuro e o papel da mulher no mundo árabe.
 
Como surgiu a ideia para a história do filme?
 
Nadine. O roteiro foi principalmente inspirado por acontecimentos políticos de alguns anos atrás. Tivemos um longo período de paz no Líbano, mas de repente as pessoas se armaram. Moradores do mesmo prédio tornaram-se inimigos da noite para o dia por causa de diferenças políticas e religiosas. Seria o começo de outro tempo de violência, e a percepção disso causa mudanças nas pessoas. Pensei em achar um jeito de parar esse processo, e foi assim que resolvi escrever E Agora, Aonde Vamos?.
 
Como foi a composição das coreografias que vemos nas cenas de sua produção?
 
Nadine. Eu sempre soube o que queria nas danças e me envolvi muito na criação das coreografias. Usei como inspiração rituais de sofrimento. Essas pessoas estão acostumadas a perder entes queridos para a guerra, então o sofrimento torna-se quase um ritual. Foi assim que nasceram as danças no filme, principalmente na cena de abertura.
 
Cena de dança de 'E Agora, Aonde Vamos?'
 
Uma forma de comparar dois de seus filmes é pelas locações. Caramelo é mais urbano, enquanto E Agora, Aonde Vamos? se passa em um vilarejo mais afastado da cidade grande. Em qual cenário você se sente mais à vontade como cineasta?
 
Nadine. Para mim, não importa o cenário onde se passa o filme, contanto que ele sirva para o tema. Se for apropriado para a história, tudo bem. Eu fico confortável tanto no meio urbano quanto no rural.
 
Em Caramelo, você também retrata a força das mulheres. É difícil falar desse tema no mundo árabe?
 
Nadine. É delicado falar desse assunto. Eles podem ser abordados, mas você precisa saber a maneira certa de fazê-lo. Com humor, é um jeito de se dar bem.
 
É difícil para uma mulher ser cineasta no mundo árabe?
 
Nadine. Eu nunca senti dificuldade por ser mulher. É um trabalho difícil, independente do sexo do profissional. É preciso ter muita força de vontade e personalidade para exercer essa profissão.
 
Quais seus planos profissionais para o futuro?
 
Nadine. Ainda tenho alguns roteiros nos quais estou trabalhando, mas nada que possa adiantar por enquanto.
 
Veja o trailer de E Agora, Aonde Vamos?:
 

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