Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.08.2012 24.08.2012

A fábrica de sucessos chamada Ryan Murphy

Por Willians Glauber
 
O que adolescentes que cantam e dançam, dois cirurgiões plásticos com pacientes inusitados e pessoas mortas assombrando uma antiga casa podem ter em comum? Além do fato de fazerem parte do enredo de séries de TV de grande sucesso, esses personagens são frutos da cabeça do mesmo homem: Ryan Murphy. Ele nem sequer completou 50 anos e, com uma carreira relativamente nova na televisão, já conseguiu entrar para a história das produções de alto nível.
 
Poucos sabem identificar o criador, mas muitos reconhecem as criaturas. E é justamente por meio delas que você conhecerá esse diretor, roteirista e produtor executivo que deu novo fôlego à indústria televisiva norte-americana. Hoje, pode-se dizer que Murphy é quase que onipresente na TV estadunidense, pois as produções criadas por ele estão em quatro canais: Fox, NBC, FX e Oxygen.
 
Definitivamente, Glee é a série mais famosa de Ryan Murphy. Criada por ele e outros dois roteiristas, a produção estreou em 2009 e já recebeu mais de 40 premiações. Nessa somatória estão seis Emmy e três Globo de Ouro.
 
O sucesso dessa dramédia musical, que virou sensação no mundo inteiro e conquistou milhões de fãs, é o exemplo perfeito para explicar o tamanho da competência criativa de Murphy e da sua influência nas produções televisivas atuais. "Ele soube tirar proveito do personagem mais poderoso da série, a música, uma linguagem que pode ser compreendida em qualquer idioma, mesmo que não se entenda uma palavra", explica Emílio Gallo, roteirista e um dos diretores da Lumini Filmes.
 
O seriado musical 'Glee' conquistou milhares de fãs no mundo todo e ganhou três prêmios Globo de Ouro, entre eles o de melhor série
 
Glee tem no currículo mais de 100 nomeações a diferentes prêmios. Murphy, além de um dos criadores da série, é produtor executivo e musical e um dos diretores principais da produção. “Ryan Murphy trouxe ambição e ousadia à TV. Ele transformou um grupo de personagens adolescentes em espelho de milhões de pessoas”, diz o jornalista Guilherme Zambonini, que é fã da série. Glee retorna em setembro, com a quarta temporada.
 
A primeira tentativa de Ryan Murphy de emplacar um sucesso foi em 1999, com a criação da série Popular. A produção teve duas temporadas e foi o primeiro passo de Murphy rumo ao sucesso futuro.
 
Pode-se dizer que, naquele ano, a fase do trabalho do roteirista estava passando pela adolescência. E se, em 1999, Murphy estava na puberdade criativa, em 1990 o futuro “hit maker” apenas engatinhava, mas a joelhadas largas.
 
Enquanto trabalhava como jornalista, Murphy escrevia roteiros em seu tempo livre. Uma dessas histórias começou a circular em Hollywood e acabou nas mãos de ninguém menos que Steven Spielberg, que se interessou pelo script e cogitou dirigir o filme. O roteiro foi comprado pela Warner Bros, mas não chegou a ser produzido.
 
Trabalho de gente grande
Com o fim de Popular em 2001, Murphy começa a entrar na fase mais madura de seu trabalho ao criar Nip/Tuck em 2003, que ganhou um Globo de Ouro por melhor série dramática. É a partir dela que Murphy ganha maioridade e respeito na Televisão. Com o seriado, ele consegue provar que tem capacidade criativa suficiente para alimentar seis temporadas de uma produção de sucesso, ainda que num canal a cabo. 
 
'Nip/Tuck' foi o primeiro grande sucesso de Ryan Murphy; a série durou seis temporadas
 
A partir disso, Ryan Murphy se firmou na indústria das séries de televisão e mostrou que estava pronto para emplacar um sucesso na TV aberta, o que aconteceu em 2009 com Glee. Sem deixar de lado o seriado musical, em 2011 ele decidiu que o gênero Terror seria sua nova empreitada, e da imaginação de Murphy nasceu outro sucesso, a série antológica American Horror Story. Em sua primeira temporada, ela ganhou um Globo de Ouro, e este ano é uma das favoritas da 64ª edição do Emmy, com 17 indicações ao prêmio. 
 
Jornalista, diretor, roteirista e um quase Papa
Quem assiste às cenas macabras e com grande apelo sexual de American Horror Story nem imagina que seu criador já almejou ser Papa. A TV sempre foi uma das paixões de Ryan Murphy, mas dividia a atenção dele com o desejo de se tornar a maior autoridade da Igreja. Até a oitava série ele estudou em colégio católico, mas, no ensino médio, mudou de escola e desistiu da ideia. Aos 15 anos ele se assumiu homossexual. 
 
Formado em jornalismo pela Universidade de Indiana, Murphy chegou a trabalhar para Los Angeles Times e Entertainment Weekly. Foi depois de conseguir vender um de seus roteiros para a Warner que Murphy decidiu largar a profissão e se dedicar integralmente à TV e ao Cinema.
 
'American Horror Story' é uma série antológica de terror e mistério; a primeira temporada foi indicada a 17 Emmy
 
O filho predileto
Glee é sem dúvidas a menina dos olhos desse criador de sucessos. Além dos assuntos recorrentes nas séries para jovens, temas como sexo homossexual e inclusão de deficientes na sociedade já foram tratados ao longo dos episódios da série musical. “Essa foi a proposta inicial de Glee, tentar abrir plataformas de discussão de temáticas até então consideradas tabu”, explica Mariana de Barros Pereira, que coadministra o blog Casa de Séries e escreve reviews sobre a produção.
 
Com Glee, Ryan Murphy ressuscitou o gênero musical na televisão norte-americana e entrou para a história, abrindo as portas para que produções semelhantes aconteçam. Em novembro, Murphy receberá um Emmy especial, o Founders Award.
 
O comitê do International Emmy Awards oferece o prêmio apenas àqueles que conseguem ir além das fronteiras culturais e tocar as pessoas com seu trabalho. Juntas, as séries criadas por ele acumulam 69 indicações ao Emmy. "O sucesso e o talento dele são inegáveis, goste você ou não", enfatiza Gallo. Vale a pena ficar de olho nas produções que estão por vir e que têm o dedinho de Ryan Murphy.  
 
 
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