Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 25.06.2010 25.06.2010

A exumação do ‘Rei’

Michael Jackson (1958 – 2009) continua vivo um ano depois de sua morte. A frase é clichê, mas faz todo o sentido nesta sexta-feira, 25 de junho, data do primeiro aniversário de morte do cantor. A “”efeméride””, embora precoce, é pretexto para a exumação da vida e da obra do Rei do Pop, agora eternamente entronizado e endeusado no coração de seus súditos. Edições de duas biografias, especulações sobre um disco com material inédito – que seria lançado em novembro com os rascunhos das gravações feitas por Michael com os rappers Akon e will.i.am – e programas de TV marcam a data. Sem falar nas homenagens prestadas hoje pelos fãs ao redor do mundo.

Se a biografia Michael Jackson, o rei do pop 1958-2009 promete reconstituir a trajetória profissional do astro, com o auxílio de mais de 140 fotos, Michael – escrita pelos editores da revista Rolling Stone – procura esboçar um tom mais analítico ao fazer a mesma reconstituição, com direito a depoimentos exclusivos de pesos-pesados com Stevie Wonder e will.i.am.

O mercado não se movimenta à toa. O sucesso planetário do documentário This Is It – que vai ser exibido pela TV Globo no domingo – mostrou que o mundo quer saber de Michael Jackson. Em outras palavras, mostrou que tudo que envolve o Rei do Pop é rentável. Por isso, hão de vir mais biografias, mais discos póstumos, mais tributos – ínclusive um nacional, produzido por Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, com regravações de hits do cantor por nomes da cena indie brazuca. Mas o fato é que o maior legado de Michael já é conhecido de todos: seus discos oficiais. Neles residem todo o ouro do Rei. Off the wall (1979) e, sobretudo, Thriller (1982) são álbuns essenciais em qualquer discoteca, em qualquer antologia. Ambos trazem uma das mais azeitadas fusões de rock, pop, funk e disco já feita na história da música. Mas desde antes, quando integrava o Jackson 5, Michael já esboçava um reinado. Foi em sua voz que, a partir de 1969, a música negra norte-americana – cantada por um negro – passou a ser consumida em larga escala pelo público branco. Desta vez, o rei era negro de verdade. Não um branco que cantava como um negro – como Elvis Presley (1935 – 1977). É por essa obra que Michael Jackson vai continuar vivo. Hoje e sempre.

 

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