Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Games 20.01.2014 20.01.2014

A evolução dos jogos de música

Por Guilherme Machado
 
Reunir os amigos para montar uma banda no Guitar Hero, organizar uma competição de dança com os familiares no Just Dance ou simplesmente plugar uma guitarra de verdade e aprender a tocar riffs com o Rocksmith. Essas são algumas das inúmeras possibilidades que a relação dos videogames com a música criou ao longo do tempo.
 
Quase no início dos anos 2000, a música deixou de pertencer apenas à trilha sonora dos jogos e passou a fazer parte de um gênero próprio. Mas onde tudo isso começou? É isso que vamos mostrar com uma retrospectiva da evolução dos jogos musicais na história dos games.
 
 
O INÍCIO: A ERA DOS ARCADES E AS TRILHAS SONORAS
 
O fim dos anos 70 e início dos anos 80 podem ser considerados a era dourada dos arcades, com lançamentos como Space Invaders, PAC-MAN, Mario vs. Donkey Kong, Asteroids e diversos outros que popularizaram essa forma de entretenimento.
 
Os arcades marcam o início da relação entre a música e os games, pois foram a primeira plataforma a receber um jogo com uma trilha sonora, abrindo as portas para o que viria adiante.
 
Nessa época, a música era armazenada de forma física em mídias analógicas como o vinil e o cassete. Por estes serem muito caros e frágeis, não poderiam ser usados facilmente em máquinas de arcade, portanto era necessário encontrar outra forma de armazenamento.
 
Apesar de alguns títulos possuírem trilha sonora, Space Invaders, de 1978, é considerado o primeiro a usar esse recurso de forma contínua, ou seja, um loop repetido de quatro notas que não era interrompido pelos efeitos sonoros do jogo, como ocorria nos outros games.
 
Outro fator inovador era a variação musical de acordo com a narrativa, de forma que, quanto mais o jogador progredia, mais rápido ficava o tempo da música, criando uma espécie de pressão psicológica.
 
Apesar de alguns títulos possuírem trilha sonora, Space Invaders, de 1978, é considerado o primeiro a usar esse recurso de forma contínua
 
Tudo isso só foi possível com o surgimento dos chips de computador que permitiram transformar impulsos elétricos em ondas sonoras analógicas para as saídas de som.
Com o desenvolvimento tecnológico, os arcades foram evoluindo, assim como os consoles caseiros e computadores, até que em 1985 surgiu o popular NES (ou Famicom), um console que tinha cinco canais de som e podia ser conectado à televisão, ganhando o coração do público.
 
Aos poucos, os tons simples passaram a simular instrumentos para reproduzir melodias e até sons percussivos, com o auxílio de um canal de ruído.
 

Os arcades, então, começaram a perder espaço para os consoles caseiros, e assim foram evoluindo as trilhas musicais dos games, de forma que, lentamente, surgiam compositores especializados em trilhas sonoras, aumentando consideravelmente a qualidade das músicas.

 
MÚSICA COMO GÊNERO DE GAME
 
O avanço da música – de mera trilha sonora para gênero de game – se deu paralelamente ao desenvolvimento das tecnologias nos arcades e nos consoles.
 
Porém, o primeiro jogo considerado musical surgiu antes mesmo do revolucionário Space Invaders: era um simples game de memória lançado pela Atari em 1974 com o nome Touch Me, no qual o jogador recebia uma sequência de cores e sons. O objetivo era memorizá-la e reproduzi-la até onde conseguisse.
 
Mais de dez anos depois, surgiu uma nova forma de jogar que não vingou na época: o Power Pad, lançado pela Nintendo para o NES. O jogador criava músicas ao pisar nos botões do tapete com sensores.
 
Algum tempo depois foi lançado PaRappa the Rapper, considerado o verdadeiro primeiro jogo de "ritmo" e um dos primeiros games musicais. Nele, o jogador deveria apertar os botões na ordem em que apareciam na tela. Essa mecânica de jogo tornou-se muito popular e estabeleceu um marco para o desenvolvimento de inúmeros títulos desse gênero.
 
Em 1997, foi a vez dos arcades receberem um jogo musical, o Beatmania, que contava com botões similares aos de um teclado e uma placa de borracha que simulava um vinil.
 
O jogo Beatmania contava com botões similares aos de um teclado
 
O grande sucesso dos instrumentos criados para jogar abriu portas e encorajou a Konami, produtora do Beatmania, a experimentar novos conceitos, como o GuitarFreaks, que possuía um controle em forma de guitarra, e posteriormente o DrumMania, que vinha com um set de bateria e podia ser unido ao GuitarFreaks para a realização de jams virtuais.
 
A popularidade desses games no Oriente atraiu olhares ocidentais, e então as empresas Red Octane e Harmonix lançaram em 2005 o tão aclamado Guitar Hero, que contava com uma guitarra como controlador.
 
Após o lançamento de Guitar Hero I, II e III, a franquia ganhou em 2007 um concorrente, o Rock Band, que trazia não só uma guitarra, mas também uma bateria e um microfone, unindo os clássicos orientais GuitarFreaks e DrumMania em um só jogo.
 
A resposta veio logo em seguida com o lançamento de Guitar Hero: World Tour, que trazia os mesmos instrumentos do Rock Band, apenas com a mudança da posição dos pratos na bateria.
A partir daí, os lançamentos começaram a sair com maior rapidez – a fórmula estava criada, bastava apenas inovar da melhor forma possível. Diversos títulos foram criados com diferentes maneiras de jogar.
 
Alguns deles utilizavam-se apenas de microfones para que os jogadores cantassem ao melhor estilo karaokê, como é o caso de Disney Sing It, Singstar e Karaoke Revolution; outros levavam os jogos de dança dos arcades para os consoles com a ajuda de controles de movimento, como Just Dance, DanceStar Party e Everybody Dance.
 
O game Just Dance
 
JOGOS DE MÚSICA COM INSTRUMENTOS DE VERDADE
 
A tecnologia evoluiu tanto nos últimos anos que hoje é possível aprender a tocar guitarra e baixo com a ajuda dos videogames. O jogo que popularizou isso foi o Rocksmith, que permitiu pela primeira vez plugar uma guitarra ou um baixo e aprender a tocar as músicas nota por nota, uma espécie de Guitar Hero para "gente grande".
 
O game conduz o jogador do nível básico ao experiente, desde a introdução de como afinar uma guitarra até a composição de acordes para a criação de riffs. À medida que o gamer vai acertando as notas durante as músicas, o jogo eleva a dificuldade para que o aprendizado evolua. Ao final da brincadeira, é possível sair tocando todas as músicas que aprendemos no jogo.
 
MAIORES COMPOSITORES DE TRILHAS PARA GAMES
 
Muitos compositores ganharam reconhecimento com suas trilhas para videogames. Criamos uma lista com os que mais se destacam:
 
– Koji Kondo (Super Mario Bros, The Legend of Zelda)
– Nobuo Uematsu (Final Fantasy)
– Koichi Sugiyama (Dragon Quest)
– Hirokazu Tanaka (Metroid, Kid Icarus, EarthBound)
– Yuzo Koshiro (Dragon Slayer, Shinobi, ActRaiser, Streets of Rage)
– Miki Higashino (Gradius, Tartarugas Ninja)
– Martin Galway (Daley Thompson's Decathlon, Stryker's Run, Times of Lore)
– Mieko Ishikawa (Dragon Slayer, Ys)
– Rob Hubbard (Monty On the Run, International Karate)
– Hiroshi Kawaguchi (Space Harrier, Hang-On, Out Run)

E você, qual é seu game de música favorito? Compartilhe aí nos comentários!

 
 
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