Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 18.05.2012 18.05.2012

A escassez de semelhanças com a obra original não impede o sucesso de ‘Anjos da Lei’

Por Rafael Faustino
Tem se tornado comum no cinema de Hollywood produzir adaptações de antigas séries televisivas. Na última década, produções como Miami Vice (2006), Starsky & Hutch (2004) e Esquadrão Classe A (2010) levaram às telas enredos, personagens e trilhas sonoras já conhecidos do público, mas sem obter muito sucesso nas bilheterias das grandes salas.
 
O mesmo não se pode dizer de Anjos da Lei, filme recém-chegado ao Brasil, inspirado na série homônima exibida no país pela Rede Globo, entre 1988 e 1989.
Produzido pela Sony Pictures, o seriado lançou ao sucesso o então jovem ator Johnny Depp e tinha como mote as missões secretas realizadas por um grupo de policiais, destacando-se Tom Hanson (Depp) e Doug Penhall (Peter deLuise), para evitar atos criminais nas escolas norte-americanas, onde se disfarçavam de estudantes.
 
Notabilizou-se por cenas de ação e suspense, que conquistaram o público adolescente da época, até o cancelamento da atração em 1991, depois de 103 episódios.
Mas a adaptação para o cinema não seguiu o mesmo caminho. Dirigido pela dupla Chris Miller e Phil Lord (que, apesar do bom resultado obtido com a animação Tá Chovendo Hambúrguer, ainda não tinha comandado nenhuma produção “de carne e osso”), Anjos da Lei foi roteirizado e produzido pelo ator Jonah Hill, que também protagoniza o filme.
 
Jovem o suficiente para não ter assistido ao seriado na televisão, Hill optou por alterar o argumento original e transformar o enredo da série de ação em uma comédia.
Na história, Schmidt (Hill) e Jenko (Channing Tatum) são dois policiais recém-formados que, por motivos diferentes, tiveram experiências traumáticas no colégio.
 
E é justamente pra lá que ambos são enviados em sua primeira missão, com o objetivo de infiltrar-se entre os alunos e impedir que um novo tipo de droga se espalhe na cidade.
 
A aparição de Johnny Depp nos momentos finais do filme, além da participação do rapper Ice Cube como capitão da polícia, contribui para deixar o longa mais divertido.
E a estratégia de Hill funcionou. Anjos da Lei liderou as bilheterias norte-americanas já na semana de seu lançamento, quando arrecadou 36 milhões de dólares, e permaneceu por mais de um mês entre os dez maiores públicos no país.
 
Os mais de 132 milhões de dólares acumulados superaram de longe os 42 milhões gastos com a produção do filme, e a película se firmou como a maior arrecadação da história dos EUA fora do verão (estação em que mais pessoas vão ao cinema) para uma comédia que não seja uma sequência (com menor apelo comercial, portanto), segundo o Portal Omelete.
Como explica David Piraino, redator-chefe do site RetrôTV, portal especializado em filmes e seriados antigos, transformar Anjos da Lei em uma comédia garantiu que os jovens comparecessem em peso aos cinemas, já que os fãs do seriado original dificilmente seriam atraídos em grande quantidade, mesmo se utilizado o argumento original. 
Johnny Depp na época do seriado 'Anjos da Lei'
 
“Anjos da Lei era uma série policial dramática voltada ao público adolescente da época, e esse pessoal cresceu. Aproveitando uma tendência atual de Hollywood de fazer filmes para o público jovem, a adaptação aproveita apenas o título, alguns aspectos gerais, e vira um filme sem muita relação com a obra original”, ressalta sobre o longa que estreou no Brasil último dia 4.
 
 “Nos Estados Unidos, as séries antigas são lançadas em DVD a todo o momento e continuam sendo exibidas na TV por assinatura. Aqui no Brasil, 'Anjos da Lei' só foi exibida uma vez e nunca mais. Caiu no esquecimento”, explica Piraino.
 
Ainda há tempo para ir ao cinema conferir 'Anjos da Lei', que deve continuar em cartaz por mais algumas semanas.
 
Se os mais saudosistas não podem esperar um retrato fiel da série, terão, ainda assim, a chance de assistir a uma boa comédia e de rever a clássica capela do número 21 da Jump Street, palco das cenas mais memoráveis da antiga atração televisiva.
 

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