Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 30.03.2010 30.03.2010

A assimetria fundamental da vida

 Por Bruno Dorigatti
 Foto de Tomás Rangel

> Assista à entrevista exclusiva de Marcelo Gleiser ao SaraivaConteúdo 
 

Após mais de uma década dedicando-se a pesquisar a teoria das supercordas, uma teoria que se pretende única e unificada para explicar o Universo, o físico brasileiro Marcelo Gleiser optou por abandoná-la. Não foi fácil, ele garante, mas era necessário. O resultado dessa reflexão pode ser conferido em seu mais novo livro, Criação (im)perfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza(Record). Segundo ele, seu livro mais importante, que "não fala sobre ciência, mas propõe uma nova e humilde visão de mundo", afirmou Gleiser, professor de Filosofia Natural e de Física e Astronomia no Dartmouth College, Estados Unidos, onde dirige um grupo de pesquisa em física teórica. 

Ele esteve no Brasil para divulgar o novo trabalho, e lançou-o na Casa do Saber, no Rio de Janeiro, em março, onde também falou com exclusividade ao SaraivaConteúdo. O autor, entre outros, de A dança do universo e de O fim da Terra e do céu, ambos vencedores do Prêmio Jabuti, afirmou que é preciso mudar a perspectiva com que medimos o mundo. "Estamos fazendo metafísica ao projetar na natureza a necessidade histórica de se encontrar respostas precisas, a ordem que queremos para nós mesmos. As simetrias não existem, são aproximações para enxergarmos o mundo. Precisamos da assimetria, das imperfeições", disse, fazendo uma analogia com as artes no início do século XX, como a música atonal, o expressionismo e o cubismo.

"Não é só a busca por uma teoria que unifica todas as coisas que não faz sentido. Muito mais séria é a busca por uma teoria final, que, basicamente, afirma que nós, seres humanos, podemos, com a nossa razão, entender tudo sobre a realidade da natureza, sobre o mundo natural. Eu acho que essa postura é filosoficamente errada", aponta. E uma das razões seria a falta de instrumentos para medir toda a natureza.

Ele também procurou traduzir – afinal, para divulgar a ciência é preciso transpor sua complexidade através de metáforas e analogias – qual o objetivo do LHC, grande colisor de hádrons, que entrou em funcionamento nesta terça, 30 de março, no Centro Europeu de Física Nuclear (CERN, na sigla em francês) em Genebra, Suíça, e pode ajudar a esclarecer o que aconteceu nos trilionésimos de segundos subseqüentes ao Big Bang. A seguir, Gleiser fala destes e de outros assuntos da mesma densidade. Porém, com uma clareza fundamental e cada vez mais necessária à comunidade científica.

 

Em seu novo livro, você procura se desvincular da Teoria Final, que explicaria a origem do Universo. Poderia falar um pouco sobre como essa teoria surgiu e se consolidou? 

Marcelo Gleiser. Uma das idéias mais antigas na civilização ocidental é essa unidade de todas as coisas, essa noção de que tudo está interligado, que existe uma razão central para tudo. Se você traçar a origem dessa idéia, vai ver que ela é extremamente monoteísta, tem a ver com a religião, muito antes da ciência ou da filosofia. Ela diz que Deus é o criador Universo, nós somos criados por Deus e, portanto, existe uma unidade neste sentido. Essas noções religiosas foram se sendo filtradas na Grécia Antiga pela filosofia e influenciaram as primeiras idéias dos chamados pré-socráticos, que procuraram por essa unidade de todas as coisas, se perguntando, por exemplo, de que o mundo é feito? A resposta que eles davam é que “tudo é feito de água, ou fogo, ou ar”. Então existe uma unidade neste sentido. 

Essa noção, depois, foi se tornando cada vez mais matemática, com Platão (428-348 a.C.), por exemplo, superimportante filósofo grego. Ficou claro, ao menos para ele, que existe uma razão universal, uma espécie de arquiteto cósmico, e que o mundo é produto dessa arquitetura divina, e a razão humana é a maneira como nós podemos nos aproximar dessa grande verdade eterna, digamos assim. E a linguagem comum entre nós e essa divindade – não era o Deus judaico-cristão, ele chamava de demiurgo – era a matemática. Então essa noção de que existe uma mente de Deus e nós, através da ciência, podemos decifrá-la foi incorporada ao discurso científico e aprofundada na renascença com [Nicolau] Copérnico (1473-1543), [Johannes] Kepler (1571-1630) e [Isaac] Newton (1643-1727.) 

Avançando alguns séculos, chegamos no século XX, com [Albert] Einstein (1879-1955), que passou os últimos 20 anos de sua vida buscando justamente por essa teoria unificada, ou teoria final, que seria, essencialmente, uma descrição matemática, racional, que mostraria essa profunda unidade de todas as coisas no mundo. Einstein e todo mundo falharam nessa busca. E, hoje em dia, a encarnação moderna dessa idéia está, por exemplo, nas teorias das supercordas, que procuram unificar todas as forças da natureza em uma força só. 

De certa maneira, essa Teoria Final se tornou tão dogmática quanto às religiões, não? Como se deu esse processo? 

Gleiser. Tem gente que acha que a ciência é dogmática, o que é uma pena. Por definição, ela não é dogmática. A função fundamental da ciência é justamente estabelecer uma espécie de diálogo, uma linguagem universal que, em princípio, todo mundo pode entender, debater, criticar. O ceticismo faz parte total da ciência. A idéia fundamental da ciência é que você tem que ter a cabeça aberta. Pois quem toma a decisão final é a natureza, não somos nós. Por outro lado, com essa infiltração monista, ideológica na ciência você tem uma corrente de pensamento que busca, através da ciência, por uma verdade final, por essa unidade de todas as coisas. Acaba por se criar uma relação meio estranha dentro da comunidade científica, onde tem essas pessoas extremamente inteligentes, brilhantes, na verdade, uns três ou quatro nomes mundialmente famosos, que acreditam profundamente nessa unidade e criam uma espécie de igreja, “a igreja da sabedoria”. Você tem lá o papa, os cardeais, e uma porção de padres, que ficam fazendo o trabalho do dia-a-dia nessa busca. 

Há pessoas que criticam essa noção das teorias de supercordas, que seriam mais dogma do que realidade. Meu livro certamente as critica dessa forma, e de outra também, um pouco mais profunda. Não é só a busca por uma teoria que unifica todas as coisas que não faz sentido. Muito mais séria é a busca por uma teoria final, que, basicamente, afirma que nós, seres humanos, podemos, com a nossa razão, entender tudo sobre a realidade da natureza, sobre o mundo natural. Eu acho que essa postura é filosoficamente errada. Uma das razões que dou é que nosso conhecimento do mundo depende de como a gente olha para ele. Além dos cinco sentidos, temos os instrumentos, como microscópios, telescópios e uma porção de outros aparelhos de detecção. Ora, é claro que existe muito mais do mundo do que a gente pode enxergar. Por exemplo, agora, aqui nesta sala, está cheio de radiação eletromagnética, infravermelha, ultravioleta que a gente não vê, o que não significa que ela não seja real. Como podemos ver isso? Com nossos instrumentos, só que eles são limitados, têm certo limite de precisão. Logo, o que vemos do mundo também é limitado, o que significa que a gente nunca pode ver tudo sobre o mundo. 

Se não temos a totalidade de informação sobre o que é o mundo, nunca vamos poder ter uma teoria que descreva o mundo inteiro porque a gente simplesmente não conhece o mundo inteiro. Então existe um problema fundamental na busca por essa teoria final: cientificamente, ela não faz sentido. 

E como foi essa trajetória de decidir abandonar a pesquisa com a teoria das supercordas até escrever o livro que trata disso, Criação (im)perfeita (Record)? 

Gleiser. Acho extremamente importante você poder mudar de opinião na sua vida, desenvolver uma crítica do seu próprio trabalho. Não é fácil, é doloroso isso, porque você tem uma comunidade de amigos, uma porção de gente que você respeita profundamente e passa a discordar dos pontos de vista deles, a partir de um momento da sua carreira. Essa transformação, vamos dizer, de unificador em crítico dessa idéia de unificação não foi muito fácil. Foi uma metamorfose ideológica que custou um certo preço. 

Depois de 10, 15 anos fazendo pesquisas em teoria das supercordas, unificação, comecei a olhar com um pouco de mais calma para esse campo de pesquisa, para o que as pessoas estavam fazendo. E percebi que as idéias iam ficando mais esotéricas, mais afastadas, da realidade, menos testáveis. Ou seja, a física, essa física pelo menos, estava virando mais metafísica do que física. Comecei a me desiludir um pouco com esse tipo de pesquisa e a procurar por outras maneiras de se pensar sobre o mundo. O que a gente aprende é que, nos últimos 40 anos, a física e a biologia deram vários exemplos onde o fundamental no mundo são as assimetrias, as imperfeições, e não as simetrias. Por exemplo, quando a gente se pergunta de onde vem a matéria, os prótons, elétrons, ou de onde vem a vida, do átomo até a célula, as explicações todas passam por assimetrias fundamentais que existem na natureza. No caso da matéria, por que existe mais matéria do que anti-matéria, que seria o oposto da matéria que, em princípio, deveria existir, mas não existe. Você tem aí uma assimetria. No caso da vida, você tem moléculas, por exemplo, como os aminoácidos, que fazem parte das proteínas, e podem ter duas conformações espaciais, uma que chamamos de canhota e outra, de destra. Quando você faz um aminoácido no laboratório, tem 50% de uma e 50% de outra. Mas na vida, todos os aminoácidos são canhotos. A vida tem uma assimetria fundamental. Se não fosse por isso, a vida seria impossível, não teria metabolismo, reprodução. O próprio mecanismo da vida depende dessas assimetrias. Percebi que a estética da ciência, baseada nessa noção de perfeição, de que simetria é beleza, e beleza é verdade, é uma estética ultrapassada, que tem que ser mudada. O mesmo aconteceu com a música e a arte no começo do século XX. Se você olhar para a música atonal, para o cubismo, o expressionismo, eles foram destruindo certas maneiras de se representar a realidade. E a ciência também tem que passar por essa revolução agora. E é a assimetria, e não a simetria, que é a bandeira desse novo manifesto. 

Para além destas pesquisas que vem sendo desenvolvidas, como está o cenário da discussão dessas idéias? 

Gleiser. Tem muito pouca gente hoje em dia pensando sobre essas coisas. O que as pessoas não sabem e deveriam saber é o seguinte: a maioria absoluta dos cientistas dá muito pouca bola para a filosofia, ou para a história da ciência, ou para a divulgação da ciência. A maioria dos cientistas são pessoas altamente técnicas, preocupadas com suas pesquisas e focadas nesse trabalho do dia-a-dia. Por conta desse foco nas pesquisas, você deixa de olhar para os lados e perde um pouco a capacidade de criticar de forma mais aberta o que está acontecendo. Você fica com aquela visão de túnel, como a gente fala nos Estados Unidos. Estou descobrindo isso agora, porque meu livro é provocador, esperava muitas críticas a ele. E estou vendo que, por enquanto, não, a maioria silenciosa concorda comigo. E existe uma minoria que trabalha nessa área mais abstrata da física, que provavelmente vão continuar a discordar, mas tudo bem. Acho que essa maioria silenciosa precisava de uma voz. Não sou o único fazendo isso, mas creio que eu seja o primeiro a colocar essa noção de assimetria como uma nova estética importante de como se pensar sobre o mundo. 

Você tocou em um ponto importante, a divulgação científica, onde atua há bastante tempo já, com as colunas na Folha de S. Paulo, uma dezena de livros publicados. Quais as dificuldades em transpor essa coisa mais técnica para uma linguagem mais acessível para o leitor comum? 

Gleiser. Acho que tem a ver com a questão do professor. Quem foi para escola, universidade sabe que os bons professores são poucos, o que não significa que eles não sejam excelentes pesquisadores. Você saber adequar a linguagem para o seu público é muito difícil, mas é fundamental, tanto na sala de aula quanto na divulgação científica. O grande desafio da divulgação científica é você saber que está tratando de uma questão técnica, porque a ciência é técnica, tem toda uma linguagem complicada, e, no caso das ciências da natureza, tem a matemática, que é complicada e assusta muita gente, por conta dos professores ruins que elas tiveram. 

Como traduzir isso tudo de uma maneira que as pessoas possam entender? Esse é o desafio da divulgação da ciência. Mas há vários truques, como usar metáforas, analogias, trazer as questões da ciência para vida diária das pessoas, de forma que elas possam se relacionar com o que você está falando. E jamais usar jargão, pois aí você está falando chinês, não adianta nada. Por exemplo, quando falei da origem da vida, poderia falar da quiralidade dos enantiômeros da bioquímica, mas ninguém iria entender nada. Usei o conceito de esquerda e direita, esse tipo de representação simbólica é muito importante na divulgação científica. 

Agora, como em toda tradução, ao traduzir você está traindo alguma coisa. É impossível você levar a ciência às pessoas de uma forma precisa. Você vai perder alguma parte do significado das coisas, da mesma forma quando se traduz um poema do francês para o português. Tradução é traição. O objetivo da divulgação científica é levar a ciência para as pessoas como parte da cultura, e não para formar novos cientistas. Se você quer ser cientista, tem que ir para a universidade estudar para isso. Mas não significa que você não possa apreciar as idéias importantes da ciência através dessas obras de divulgação. 

Quais as mudanças na divulgação científica desde quando você começou a estudar e pesquisar até hoje? 

Gleiser. Gosto sempre de lembrar que Galileu [Galilei] (1564-1642), o primeiro cientista moderno, foi um grande divulgador de ciência. Os livros dele foram escritos para o público em geral, com diálogos, personagens. Ele era um mestre da divulgação científica, porque sabia que uma boa idéia que não é bem apresentada jamais vai ser acreditada. Não adianta somente você ter uma boa idéia, é preciso saber apresentá-la. 

O que vem acontecendo agora, nos Estados Unidos e na Europa, mas no Brasil também, é que mais cientistas estão se interessando em fazer isso. Nos EUA, se fala na terceira cultura. Tradicionalmente, você tem a cultura do humanismo e da ciência, quase antagônicas. Agora, uma terceira cultura tenta casar essas duas coisas e mostrar que as ciências e as áreas humanas têm muito em comum, em particular porque as ciências afetam a maneira que a gente pensa sobre o mundo, elas criam cultura. Seu modo de pensar sobre a realidade é completamente diferente de Pedro Álvares Cabral, que achava que a Terra era o centro, o Universo era finito, estático etc. Essas visões de mundo dependem muito da ciência. 

Você fala em um novo “humanocentrismo”, que trata da nossa posição na ordem do universo. No que ele se difere do antropocentrismo?  

Gleiser. Um dos pontos mais importantes do livro é que introduzo essa noção de humanocentrismo, justamente para ser contraposta ao antropocentrismo, típico da renascença e da Idade Média. No antropocentrismo, tínhamos o homem no centro do Universo por dois motivos: a Terra era o centro geométrico do Universo e nós aqui estávamos. E teologicamente também, pois éramos seres criados por Deus, portanto o ápice da criação. 

Com 400 anos de ciência, fomos ficando cada vez menos importantes. Foi uma humilhação atrás da outra. Primeiro, a Terra saiu e o Sol virou o centro. Depois, a nossa galáxia – que, até 1924, achava-se que era a única que existia – é uma entre centenas de bilhões de outras galáxias. Fora isso, o Universo está se expandindo cada vez mais, a matéria, os átomos dos quais nós somos feitos, está por toda a parte e é uma minoria. Quando a gente faz um levantamento de toda a matéria existente no Universo, ela representa só 4%; o resto são coisas estranhas que ainda não sabemos o que são. Nós somos o lixo que fica embaixo do tapete. 

Por outro lado – e aí é que entra o humanocentrismo –, aprendemos com a ciência moderna que, quando começamos a pensar sobre a vida e a vida em outros planetas, ela é extremamente rara. Os planetas são extremamente belos, mas mortos. Se existir algum tipo de vida em Marte, ou em uma lua de Júpiter chamada Europa, vai ser uma vida muito primitiva, tipo bactérias, seres unicelulares, no máximo. Quando olhamos para a vida aqui na Terra e como ela foi se desenvolvendo, foram 3,5 bilhões de anos. Destes, durante 2,5 bilhões de anos, só tinha seres unicelulares, bactérias ultra-simples. E estamos aprendendo que essa transição de um ser super-simples para um multicelular, como uma esponja marinha ou uma água-viva, só aconteceu há 500 milhões anos. E daí até seres multicelulares complexos demorou mais ainda. E seres multicelulares complexos inteligentes surgiram há apenas 200 mil anos. E cada passo desses envolve uma série de condições extremamente difíceis de serem repetidas. 

Se você me perguntar hoje se eu aposto que tem vida fora da Terra, respondo que sim. Se você me perguntar se eu aposto que tem vida inteligente fora da Terra, minha resposta é não. Estamos aprendendo que a Terra é um planeta extremamente importante, extremamente raro, quase um oásis sagrado, em uma galáxia extremamente hostil à vida. O espaço é extremamente hostil à vida, você sai aqui da terra, acabou. Temperaturas baixíssimas, sem atmosfera. A vida é rara, nós, seres inteligentes, somos extremamente raros. Então somos o centro mais uma vez, não porque a Terra é o centro do Universo, ou porque somos sobrenaturalmente criados por algum Deus, mas porque somos super-raros e, portanto, importantíssimos na preservação da vida. Temos uma nova missão cósmica: preservar a vida a todo custo, entender a importância fundamental da Terra e a nossa dependência dela também. Cada vez mais, entendemos o seguinte: a Terra estaria perfeitamente bem sem a gente, mas a gente, sem a Terra, não conseguiria sobreviver. 

Como o acelerador de partículas como LHC pode ajudar nas pesquisas sobre a teoria das supercordas? E quais os seus limites? 

Gleiser. A ciência moderna continua tentando responder à primeira pergunta feita na Grécia Antiga: de que o mundo é feito? A pergunta feita por Tales 650 a.C. é a mesma que os físicos modernos estão tentando responder. Hoje, usando máquinas superpoderosas, como o LHC, que fica lá no Centro Europeu de Física Nuclear (CERN, na sigla em francês), perto de Genebra, na Suíça. Essas máquinas tentam entender de que o mundo é feito. Todo mundo sabe que existem os átomos, feitos de prótons e nêutrons, e tem os elétrons que giram em torno. Mas esse é o comecinho da história, tem muito mais coisas que só prótons, nêutrons e elétrons no mundo. Nós, agora, neste momento, estamos sendo atravessados por trilhões de partículas que estão vindo do coração do Sol. Os aceleradores de partículas tentam descobrir que partículas de matéria são estas, completamente invisíveis aos nossos olhos. É complicado fazer isso, pois elas são invisíveis, extremamente pequenas, subatômicas, menores que um próton. Como se faz isso? Afinal, não podemos cortar um átomo com uma faca, pois ela também é feita de átomos. Como você descobre o que tem dentro de uma laranja sem cortá-la? Temos duas opções: você joga a laranja contra a parede violentamente. Ela vai se espatifar e vai voar suco, bagaço, caroço. Se for uma colisão muito violenta, você pode até quebrar o caroço e ver o que tem lá dentro. A outra maneira é você pegar duas laranjas e bater uma contra a outra. É isso que faz o LHC, colidindo prótons com prótons. E quando esses prótons se chocam a 99,9% da velocidade da luz, aquela fórmula do Einstein, E = mc2, faz com que essa energia toda de movimento dos prótons crie matéria. E essa matéria então são as partículas fundamentais que a gente tenta entender. E o LHC é, de longe, a máquina mais poderosa para se fazer isso. Aliás, é a maior máquina já feita na história da humanidade. E ela via conseguir reproduzir as energias que existiam no Universo um trilionésimo de segundo depois do Big Band. Significa você conseguir olhar, daqui da Terra, para o Universo quando ele ainda era um bebê. Nada mal, né?

 

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