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A arte sonora de Fernandinho BeatBox

Por Iveilyze Oliveira
 
Fernando da Silva Pereira, o Fernandinho BeatBox, 36, surpreende ao imitar sons e batidas musicais com a boca.
 
A simulação de efeitos sonoros chamada de Beatbox ganhou espaço no Brasil na década de 70, e o único instrumento usado durante as apresentações é o amplificador.
 
O paulistano do Campo Limpo começou a carreira em 1995, quando formou o grupo de rap Z’África Brasil.
 
Acostumado a participar de shows e turnês de artistas, é parceiro de palco do Marcelo D2 há quatro anos. Mas agora, lança seu primeiro CD solo, Caminho Estreito.
 
Para falar sobre a cultura Beatbox e sua trajetória profissional, convidamos Fernandinho para um bate-papo com o SaraivaConteúdo.
 
 
 
Quando surgiu a admiração pelo Beatbox e como foi desenvolver essa habilidade?
 
Fernandinho. Através de um filme norte-americano e da música do Michael Jackson – 'Billie Jean'. Desenvolvi na escola com os amigos, mas a ajuda real veio pelo DJ Fabio Napolitano, da Enigma Dance Club, que me colocou no palco pela primeira vez.
 
Como surgiu o projeto do Caminho Estreito? Por que o CD recebeu esse nome?
Fernandinho. Sempre tive vontade de gravar um disco com várias participações e eu fazendo o Beatbox. Porém, um dia, numa roda com amigos, eu disse que iria cantar (rimar), e um desses amigos falou algo assim: “Não inventa, Fernandinho! Faz só o Beatbox” (risos). E isso me fez pensar que eu poderia ir além, e comecei a compor canções. Logo coloquei o Renan Samam (produtor do Emicida, Kamau, Rashid) para produzir as bases e, há um ano e meio, o Zé (Label A) me deu a oportunidade de lançar o disco pelo selo Label A. O disco recebeu esse nome baseado em algumas das leituras que sempre faço da bíblia. Vivemos em mundo de muitas futilidades e facilidades, e sei que ter uma vida honesta e com verdade não é fácil. Por isso, todos podem conferir nas suas bíblias Mateus 7: 13 e 14, e vão entender bem o porquê (risos).

Por que apenas agora resolveu investir na carreira solo?

Fernandinho. Tudo tem o momento certo, e como disse antes, o mundo está muito perdido com valores invertidos. Quero trazer uma mensagem de mudança de 'Caminho', pois não tem como não alcançar… Se você sonha e luta, então você conquista.
Qual a diferença entre o trabalho solo e o desenvolvido com artistas renomados como Marcelo D2?
 
Fernandinho. A diferença é que dessa vez posso encabeçar tudo em relação ao meu trabalho. Nele, posso colocar minha ideologia completamente.
 
Como foi escolher Seu Jorge, Tita Lima, Renan Samam, Daniel Ribeiro, DJ Caíque e o MC Fernando, que tem apenas 11 anos de idade, para participar de Caminho Estreito? Com quais artistas você ainda pretende desenvolver alguma parceria?
Fernandinho. Todas as participações são pessoas que admiro e me identifico como pessoa e artista. Me sinto honrado poder ter no meu primeiro disco participações importantes. Pretendo contar no próximo disco com Marisa Monte, Marcelo D2, Fernanda Abreu, Mano Brown, Dexter e Gaspar (Z'Africa Brasil).
O que espera alcançar com Caminho Estreito?
Fernandinho. Quero que a mensagem do disco chegue a todas as pessoas, que possa impactar a vida delas, e quero poder levar uma outra opção. Tenho músicas que incitam os jovens a correrem atrás de seus ideais, a tomarem cuidado com os inimigos que tentam nos derrubar, a lembrarem dos bons tempos e lutarem pra conquistar. Creio que seja isso que eu queira alcançar.
Como define o estilo de suas batidas e qual o segredo pra conseguir a sonoridade?
 
Fernandinho. Não consigo definir (risos). Mas creio que a performance alinhada à minha preocupação de ser legal para o público e a perfeição dos timbres são o segredo.
 
Qual a diferença entre o Beatbox feito em São Paulo e o de outros Estados do país? Prevalece o estilo regional ou é uma cultura de linguagem única?
 
Fernandinho. É uma cultura de linguagem única. O que temos aqui é uma dificuldade de equipamentos e apoio, que lá fora tem muito. Os beatboxers brasileiros são verdadeiros guerreiros, pois sabemos que equipamentos que nos auxiliem melhoram a qualidade do produto final. Temos aqui muitos beatboxers que seriam os melhores do mundo facilmente se fosse mais barato comprar equipamentos ou receber apoio de algumas dessas marcas.
 
Em quais tipos de apresentações está presente o BeatBox?
 
Fernandinho. Em todos os tipos de apresentação pode estar presente, pois somos instrumentos vivos, peças completas de sonoplastia (risos).
 
Qual é o público do BeatBox e como dialogar com essas pessoas?
 

Fernandinho. Não existe público definido. Eu mesmo já vi pessoas de 80 anos se encantando com os sons, e crianças de 5, 6 anos. Creio que o grande lance é gerar alegria com isso, mostrar quanta coisa legal podemos fazer com nosso corpo, mais precisamente nossa boca e cordas vocais.

 
Quais as vantagens e desvantagens de ser a principal referência do Beatbox brasileiro?
 
Fernandinho. A principal desvantagem é a cobrança. Por ser referência, tem sempre uma responsabilidade maior. Não que isso seja ruim, mas quem é que gosta de trabalhar com pressão? (risos) As vantagens são todos os benefícios que o Beatbox trouxe pra mim, os apoios, os trabalhos que me permitem viver disso há mais de 15 anos.
 
 
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