Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 06.09.2013 06.09.2013

50 anos de X-Men: as grandes histórias do passado, presente e futuro

Por Marcelo Rafael
Este mês, uma das equipes mais importantes da Marvel comemora seus 50 anos. Também em setembro, entra em curso, nos Estados Unidos, uma história que une os X-Men do passado, do presente e do futuro.
Desde sua criação, os mutantes se envolveram em uma porção de sagas próprias (ciclo de histórias seriadas ao redor de um mesmo problema) e também foram engolfados por eventos que abrangiam todo o Universo Marvel (como Guerras Secretas, Invasão Skrull e Era de Ultron).
Não faltaram viagens pelo tempo, pelo espaço sideral e por diferentes dimensões. Houve algumas mortes (definitivas e também com ressurreições), mutilações, desaparecimentos, novas mutações (como as de Fera e Feral) e até algumas possessões (como a de Jean Grey pela Fênix e a “absorção” da Miss Marvel pela Vampira).
O SaraivaConteúdo faz um balanço das principais sagas que marcaram os maiores mutantes do planeta.
SURGE UMA NOVA ESPÉCIE (1963)
Em The X-Men nº 1, são apresentados os quatro jovens superdotados criados por Stan Lee. Sob a tutela do telepata Professor Charles Xavier, eles traziam um novo conceito de superpoderes baseados em alterações genéticas, em uma atmosfera científica que debatia os avanços da medicina e o uso da energia atômica.
“Eles sugiram com o conceito de um gene extra. O ‘X’ da pronúncia em inglês foi o que fez com que o Stan Lee desse esse nome à equipe”, conta Jota Silvestre, jornalista e editor do Papo de Quadrinhos.
No campo social, os roteiros traziam metáforas ao preconceito, característica presente até hoje nas histórias. Na época das lutas sociais pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, Xavier era comparado a Martin Luther King, por seu discurso conciliador de convivência. Enquanto o maior antagonista da equipe, Magneto, era comparado a Malcom X, por sua rebeldia e resposta violenta à intolerância.
GIANT SIZE (1975)
Em queda nas vendas, a editora decidiu reformular a equipe. No nº 1 de Giant Size X-Men, surgem integrantes de vários países: Tempestade (Quênia/Egito), Wolverine (Canadá), Colossus (Rússia), Pássaro Trovejante (índio norte-americano), Noturno (Alemanha), Banshee (Irlanda) e Solaris (Japão), que salvam os X-Men originais.
“Foi o grande salto de popularidade e, na minha opinião, deu início à melhor fase até hoje, escrita por Chris Claremont e desenhada primeiro por Dave Cockrum e depois por John Byrne”, diz Silvestre.
Ao contrário do início, os novos heróis já não eram adolescentes, mas adultos com antecedentes bem detalhados. Noturno tinha um histórico de abandono e humilhações na Alemanha, Tempestade era considerada uma deusa no Quênia e Wolverine tem seu passado até hoje ainda sendo revelado.
Giant Size X-Men não é bem uma saga, e sim uma nova fase. Acredito que é dessa época a melhor saga de todos os tempos, a Saga da Fênix, em que a Garota Marvel (Jean Grey) ‘morre’ e volta como a Fênix”, comenta o jornalista e editor do Papo de Quadrinhos.
SAGA DA FÊNIX (1980)
Com a popularidade retomada, uma das principais personagens do elenco original morre: Jean Grey. Ela se sacrifica em uma viagem ao espaço para salvar seus companheiros.
No entanto, ressurge como uma entidade cósmica muito mais poderosa, autoproclamando-se “Fênix”. Aliciada pelo grupo de ricaços que tenta dominar o mundo, o Clube do Inferno, Jean torna-se a Rainha Branca e tenta destruir os X-Men.
Posteriormente, seus poderes aumentam ainda mais e ela se nomeia “Fênix Negra”, uma entidade extremamente perigosa. “História inesquecível, roteiro bem trabalhado, ótima arte”, diz Silvestre.
“Os heróis mais estranhos de todos! No sensacional estilo Quarteto Fantástico”, dizia a capa do 1º número
A saga da Fênix também foi retratada no desenho animado e nos filmes da equipe

DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (1981)

Todo fã de quadrinhos de super-heróis é também fã de ficção científica. E viagens pelo tempo sempre rendem boas histórias. Segundo o jornalista e editor do Papo de Quadrinhos, a primeira delas (ou, pelo menos, a mais significativa) dos X-Men é Dias de um Futuro Esquecido.
Na trama, o que restou dos X-Men no futuro retorna ao presente (década de 1980) para evitar que o mundo seja dominado pelos terríveis robôs gigantes caçadores de mutantes, os Sentinelas. É essa história que serve de inspiração para o próximo filme dos X-Men, no ano que vem.
MASSACRE DE MUTANTE (1986)
Lidando constantemente com o tema de rejeição e preconceito, a equipe viu mutante se voltar contra mutante quando o Sr. Sinistro resolve exterminar os deformados Morlocks, que viviam nos subterrâneos de Nova York.
“Os X-Men sempre trataram de assuntos mais ‘delicados’. Acho essa uma das sagas que melhor trabalha com isso”, conta o pesquisador de quadrinhos Jefferson Lima.
“Quando li, na adolescência, foi um choque ver os super-heróis mais ‘próximos’ das relações humanas. A parte que mais me chamou atenção foi a relação com os Morlocks”, declara Lima.
Nos primórdios da epidemia de Aids no mundo, os roteiros tangenciaram a discriminação. “Achei bacana como a ‘desumanização’ dos Morlocks foi trabalhada, quando a Aids estava aparecendo e onde havia certa ‘segregação’ dos soropositivos”, diz o pesquisador de quadrinhos.
O terror da dominação pelos sentinelas serve de inspiração para Days of Future Past, com estreia em 2014
Os Morlocks mostraram que nem todo superpoder é uma bênção em “Massacre de Mutantes”

OPERAÇÃO TOLERÂNCIA ZERO (1997)

Sequência da saga Massacre (não confundir com a saga de 1986), Tolerância Zero mostra como manipulações políticas fazem com que os mutantes sejam novamente perseguidos, mas desta vez pelo governo federal norte-americano.
“O que o Estado faria com o surgimento de superseres? E o medo da população? É legal pensar que já na década de 1990 os Estados Unidos passavam pela ‘construção do terrorismo’, tendo acabado de sair da Guerra do Golfo. Eu gosto de pensar que essa construção do Estado como humano e falho permite uma reflexão sobre o tempo em que a HQ foi produzida”, analisa Lima.
BATTLE OF THE ATOM (2013)
“Nos anos 1990, vieram tantas sagas que a cronologia virou uma bagunça, como a Era do Apocalipse”, comenta Silvestre. “E neste ano, a principal saga da Marvel, Era de Ultron, volta a usar viagens pelo tempo”, diz.
Fato é que, fazendo jus à reputação de equipe com muitos personagens e viajante do tempo, Battle of The Atom traz, agora, novas versões de conhecidos personagens vindas do futuro em contato com mutantes atuais e com os primeiros X-Men.
Resta aguardar o vai-e-vem da história e esperar pelo filme no ano que vem!
Tempestade, Wolverine, Colossus, Apache e Noturno são recrutados por Ciclope para salvar os X-Men originais
Passado, presente e futuro se misturam na nova saga que presta homenagem ao cinquentenário dos mutantes
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