Bel Sanmax por Bel Sanmax Livros 27.02.2020 27.02.2020

5 autores clássicos de terror da literatura

Muito antes de Jogos Mortais, Pânico e Annabelle lotarem os cinemas e reascenderem o interesse em histórias de terror, o gênero literário já era considerado como um dos mais populares e celebrados desde o século 19.

Confira a lista com os autores dos clássicos mais importantes de terror, cujas obras continuam a inspirar tremores e calafrios até hoje:

1) Stephen King

Stephen King

Stephen King – Foto: Divulgação

Com 54 livros e mais de 200 contos lançados, Stephen King é, sem dúvida, o primeiro nome que vem à cabeça quando se trata de histórias de Terror. Não é à toa que ele é chamado de Rei desse gênero.

O autor de O IluminadoCarrie, a Estranha, It – a Coisa e tantos outros sucessos já avisou que não pretende parar de escrever tão cedo. Stephen King não parou de produzir nem durante a pandemia, lançando If it bleeds (Com Sangue em português) em abril de 2020, e além dos livros, escreve também contos, quadrinhos e roteiros de TV e Cinema.

Com uma produção literária tão intensa, pode-se pensar que ele não tem tempo para mais nada, mas Stephen King ama os livros. Reza a lenda que em uma entrevista ele teria dito que lia por volta de 80 livros por ano. Isso porque se considerava lento na leitura.

Curiosidades sobre Stephen King

Os personagens e narrativas de Stephen King funcionam muito bem nas telas, como se ele os criasse já pensando nisso. Nem todos fizeram sucesso nas telonas, mas vários se tornaram clássicos do cinema, como o próprio O Iluminado, Carrie, Cemitério Maldito  e A Espera de um Milagre, entre muitos outros.

Stephen King não é o único escritor de sucesso que tem um pseudônimo, muitos fazem isso para se aventurar em outros gêneros. King fez isso para lançar livros de terror, um gênero que ele sempre dominou,  porque escreve tão rápido que teve receio de saturar o mercado com mais de um livro com o seu nome por ano. Por isso ele criou Richard Bachman, e ainda convenceu um agente de seguros chamado Richard Manuel a ceder seu rosto para o ‘escritor’.

Stephen King dá uma força aos cineastas iniciantes, permitindo que eles adaptem seus contos por apenas 1 dólar. Frank Darabont fez isso com Rita Hayworth and Shawshank Redemption, que se tornou Um Sonho de Liberdade, que concorreu a 7 Oscars em 1994.

Mas Stephen King também pode ser bem exigente quanto às adaptações de suas obras para as telonas. O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick e com Jack Nicholson no papel principal, se tornou um clássico do cinema de todos os tempos, e não somente no gênero terror. Mas King foi contra a escalação de Nicholson para o papel, e nunca gostou da adaptação, dizendo que ela tem muita estética e pouco conteúdo.

Por outro lado, quando se aventurou como diretor, Stephen King lançou Comboio do Terror, e ganhou o Framboesa de Ouro como pior diretor. Mas King sabe fracassar com classe. Para a trilha sonora ele conseguiu trazer o AC/DC, que pela primeira vez concordava em ceder seus clássicos para uma trilha sonora de cinema, que somados a algumas inéditas, se tornaram o álbum Who Made Who, de 1986.

2) Mary Shelley

Mary Shelley

Pintura representando Mary Shelley – Foto: Reprodução

Mary Wollstonecraft Shelley nasceu em Londres, em 1879, e escreveu Frankenstein: o Prometheus Moderno com 17 anos. Reza a lenda que a obra nasceu de uma aposta entre Shelley, Lord Byron e Percy Shelley, seu então amante (eles se casaram após Shelley ficar viúvo). Presos em uma casa na Suíça, por uma tempestade, um cenário bem propício para histórias assustadoras, Byron os desafiou a criar um conto de terror macabro.

Mary, inspirada em uma visão que teve durante a madrugada, de um jovem desenterrando ossos de uma sepultura e dando vida a eles, criou uma história que, além de aterrorizante, é uma alegoria sobre os limites morais da ciência e um alerta sobre o que pode acontecer quando o ser humano tenta brincar de Deus.

Com seu Frankenstein, além de ter criado uma das histórias de terror mais importantes de todos os tempos, Mary Shelley, que também foi biógrafa, editora literária e ardente defensora dos direitos das mulheres, inaugurou a literatura de Ficção Científica.

3) H. P. Lovecraft

 H. P. Lovecraft

H. P. Lovecraft – Foto: Divulgação

Se Stephen King é o rei do terror deste século, o próprio afirma que no século XX não há nenhum escritor maior nesse gênero que Howard Phillips Lovecraft .

H.P. Lovecraft, como é mundialmente conhecido, nasceu nos Estados Unidos, teve uma infância complicada e não teve em vida grande sucesso comercial com suas obras, pois não fazia questão de criar uma literatura acessível.

Mesmo assim, já era admirado por outros escritores de literatura fantástica, que foram seus amigos e correspondentes, e reconheciam seu talento, como Robert E. Howard, criador de Conan, o Bárbaro.

Lovecraft provavelmente é o mais influente escritor de terror de todos os tempos, porque ele não criou somente um grande personagem, ou uma grande narrativa, mas um universo, uma mitologia habitada por monstros inomináveis e civilizações perdidas, sendo o mais famoso dele Cthulu, apresentado em O Chamado de Chtulu.

Quem é Chtulu

Lovecraft, que escrevia inspirado em seus pesadelos, descreveu Chtulu como uma cabeça gigante cheia de tentáculos, como um polvo, com asas de morcego e garras nas mãos e nos pés. Ele é tão maligno que sua presença causa um mal estar no inconsciente coletivo humano, e a mera visão da criatura pode levar uma pessoa à loucura.

Chtulu, que seria uma espécie de divindade pagã ancestral, vive em uma cidade submersa no Oceano Pacífico chamada R’ lyeh, e os únicos que sabem de sua existência tentam despertá-lo através de um canto impronunciável, Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn ,para que ele traga o apocalipse.

 Curiosidades sobre H.P. Lovecraft

Não é exatamente uma curiosidade, mas seitas apocalípticas que querem despertar divindades cósmicas pagãs ancestrais parece algo manjado, que você já viu em alguma outra narrativa de fantasia? Bem, isso é porque HP Lovecraft influenciou muita gente que veio depois dele.

Se você gosta de terror, como na série cult Evil Dead, já deve ter ouvido falar do Necronomicon, o livro dos mortos, escrito por Abdul Alhazred  em 730 D.C em Damasco. Há até páginas na internet que afirmam que o livro existe de verdade e contam a história de seu autor, o “árabe louco”.  Bem, o livro até existe, mas é uma ficção de terror. Abdul Alhazred é um pseudônimo criado por Lovecraft em sua juventude, depois de ler As Mil e Uma Noites.

A influência de H.P. Lovecraft na cultura pop é tão grande que é até difícil de delimitar, mas entre os fãs assumidos do escritor está o Metallica, que tem várias canções inspiradas na obra do escritor, como Dream no More, do álbum Hardwired…to self destruct, All Nightmare Long do Death Magnetic, The Thing That Should Not Be, da obra-prima Master of Puppets e (essa você já sabia!) The Call of Ktullu, com “k” mesmo.

4)Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

Retrato de Edgar Allan Poe – Foto: Wikimedia Commons

Considerado o “pai” da literatura de terror, Edgar Allan Poe  nasceu em 1809 em Boston e morreu em 1849, falecendo muito jovem, em circunstâncias até hoje cercadas de mistério.

Nascido Edgar Poe , ele ficou órfão de mãe e foi abandonado pelo pai aos 3 anos de idade, sendo abrigado por Francis e John Allan, que mesmo sem adotá-lo oficialmente, lhe deram o Allan do sobrenome.

Edgar Allan Poe chegou a frequentar a Universidade, mas seu estilo de vida boêmio não se adaptou à rotina acadêmica. Acabou discutindo com seu pai adotivo e fugiu de casa, se alistando no Exército, onde serviu por 2 anos. Tentou depois uma carreira como oficial, entrando na renomada academia militar de West Point, de onde também foi expulso.

Embora exista uma história de que ele se apresentou para o serviço usando somente um cinturão de  munições, sem calças, essa é apenas uma lenda. Segundo os próprios registros de West Point, sua instabilidade emocional, profundos problemas pessoais, constante necessidade de fundos e falta de tempo para se dedicar à poesia, mais do que sua deficiência em aptidões militares, interromperam sua carreira de cadete. Edgar Allan Poe lidou com suas emoções através da poesia e da literatura, com obras que abordavam o misterioso e o macabro em contos e poesias de terror gótico, que tiveram um impacto cultural tão profundo, que se tornaram parte da mitologia associada ao Dia das Bruxas, o Halloween.

Entre suas obras mais famosas estão o poema O Corvo e o conto Os Assassinatos na Rua Morgue, que trazia o detetive Auguste Dupin, o primeiro detetive da literatura policial, uma espécie de precursor de Sherlock Holmes, que torna Edgar Allan Poe também um dos pais da literatura de mistério.

Mas não foi somente Arthur Conan Doyle que Poe influenciou. Autores clássicos de Ficção Científica como Júlio Verne e H.G.Wells também declararam abertamente sua admiração pela obra de Edgar Allan Poe.

Edgar Allan Poe na cultura pop

O Corvo, poema mais famoso de Edgar Allan Poe teve pelo menos duas traduções ilustres para o Português: Existem versões de Machado de Assis e Fernando Pessoa.

No especial de Halloween da segunda temporada de Os Simpsons, existe uma versão engraçadíssima de O Corvo, em que o homem aterrorizado pela visita da ave agourenta que repete “nunca mais” é Homer Simpson, e a ave é Bart.  Essa versão paródia é tão famosa que já foi tema de várias dissertações acadêmicas.

Os temas macabros de Edgar Allan Poe são inspiração constante para letras de Rock e Heavy Metal. Provavelmente a mais famosa é Murders In The Rue Morgue, da banda britânica Iron Maiden, do disco Killers, de 1981.

5) BRAM STOKER

Bram Stoker

Bram Stoker

Abraham “Bram” Stoker nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1847. Matemático de formação, começou a escrever na adolescência e seu primeiro romance foi The Primrose Path, escrito em 1875. Em 1878, a convite do ator vitoriano Henry Irving, tornou-se administrador do Royal Lyceum Theatre em Londres.

Começou a escrever um romance sobre vampiros em 1890, mas somente em 26 de maio de 1897 publicou Drácula, que se tornou não somente seu maior sucesso como escritor e uma das histórias mais conhecidas dos romances de terror, como deu origem a um dos personagens mais conhecidos, e amados, da cultura universal.

Como Bram Stoker criou Drácula

Todo fã de Drácula sabe que ele foi inspirado em um personagem real, o príncipe Romeno Vlad Drakul, conhecido como Vlad, O Empalador, que no século XV, tinha esse apelido pela maneira com que tratava seus inimigos.

O que poucos sabem é que a maneira que o vampiro age no livro foi inspirada no cenário desesperador de uma epidemia de cólera, que a mãe de Bram Stoker presenciou durante a infância. Na época, não se sabia como a doença era transmitida, e se espalhava com tanta rapidez. Se dizia que ela “chegava de navio e viajava por terra como uma névoa”. Exatamente como Drácula.

Outra inspiração foi que monstros que sugam o sangue dos vivos já faziam parte do folclore de muitas culturas, e as pessoas realmente acreditavam que vampiros existiam. Tanto que no início do século XVIII os livros de história contam sobre uma epidemia de vampirismo no Leste Europeu, causada por condições que nada têm de sobrenaturais, mas que a ciência e a medicina da época desconheciam.

Curiosidades sobre Drácula

Os vampiros do folclore eram mortos vivos sem o mínimo de glamour. O Drácula de Bram Stoker popularizou a figura do vampiro aristocrático e sedutor irresistível. Mas não foi ele o primeiro a ter essa ideia. O primeiro vampiro com essas características foi Lord Ruthven, criado pelo John Willian Polidori no conto O Vampiro, que foi publicado em 1819 com grande sucesso.

Polidori teria se inspirado no personagem Augusto Darvell,cria do por Lord Byron, de quem ele era médico, no conto Fragmento de um Romance, que o famoso poeta começou a escrever, mas logo abandonou, para o mesmo jogo de criar histórias aterrorizantes que propôs a alguns amigos e levou Mary Shelley a criar Frankenstein.

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