Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 28.08.2020 28.08.2020

10 livros que abalaram o mundo e porque eles fascinam os leitores

Na era das redes sociais, criar uma polêmica, causar, é relativamente fácil. Basta escolher um assunto que se sabe que engaja as pessoas, tanto a favor como contra, e se posicionar sobre ele.  Mas sempre existiram aqueles que foram além da simples polêmica, e propuseram ideias que mudaram a cabeça das pessoas, fazendo com que elas enxergassem de uma maneira diferente a si próprias e ao mundo em que viviam.

Nesse post fizemos uma lista que mostra 10 livros que abalaram o mundo, desde aqueles escritos séculos atrás  até os atuais, e  explicamos porque eles fascinam os leitores de ontem e de hoje, despertando discussões que são sempre atuais .Se você ainda não leu esses livros, não perca tempo, porque eles valem cada minuto de leitura.

 

A Origem das Espécies, de Charles Darwin

Escrito por Charles Darwin e Lançado em 1859 com o título de Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela, e depois finalmente abreviado em 1872 para A Origem das espécies, título pelo qual é conhecido até hoje, causou grande polêmica ao apresentar evidências de que a diversidade de espécies existentes no mundo eram resultado de um processo de evolução.

Darwin demonstrou que ao longo de gerações os organismos vivos foram se adaptando, se modificando, e que as espécies dominantes em cada ambiente eram aquelas que resultado de mutações que as tornavam mais aptas a viver nele. E mais do que apontar que as espécies iam mudando ao longo do tempo, dando origem a novas, Darwin apontou que a própria Espécie Humana tinha origens em comum com outros primatas.

A Origem das Espécies causou polêmica tanto entre os que compreenderam as teorias de Darwin como entre os que não. Além da polêmica religiosa, que nunca foi o desejo de Darwin, que era um cientista, não um teólogo, muitos entenderam que a sobrevivência do mais adaptado que era o que ele defendia, fosse a sobrevivência do mais forte, algo que o cientista nunca afirmou, mas que foram utilizadas como base para muitas teorias odiosas que vieram depois.

O Retrato de Dorian Gray. de Oscar Wilde.

Publicado pela primeira vez em 1880, quando teve 500 de suas palavras retiradas por ofender a moral vigente na Inglaterra Vitoriana, e publicado na sua versão revisada, sem as palavras censuradas, O Retrato de Dorian Gray é o único romance de Oscar Wilde, e apesar de ser uma narrativa ficcional, é uma profunda reflexão sobre a vaidade e a moralidade humanas, e como elas podem mudar quando não há o medo das consequências.

No romance, Dorian Gray é um jovem bonito e vaidoso, que vende sua alma para manter sua beleza, nunca envelhecer e principalmente nunca sofrer as consequências de seus atos, que seriam sofridas pela sua pintura de corpo inteiro. Ao se ver livre das consequências de suas ações, Dorian Gray se torna também livre da moral, e passa a viver somente para atender seus desejos, que não tem mais limite para serem satisfeitos.

Frankenstein, de Mary Shelley

Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, foi escrito pela inglesa Mary Shelley entre 1816 e 1817, e publicado em 1818, mas a edição de 1831 é considerada a definitiva. Trata-se de um romance de terror gótico que é considerado também o marco zero da ficção científica, e conta a história do cientista Victor Von Frankenstein, que combinando conhecimentos de alquimia com a ciência consegue criar vida a partir de matéria inanimada, o monstro de Frankenstein.

Horrorizado, o Dr. Frankenstein foge e abandona sua criatura, que apesar de ser inteligente, pela sua aparência bizarra e força descomunal, é sempre rejeitada e perseguida por todas as pessoas que encontra. Ao perceber a tragédia e solidão de sua existência, o monstro procura seu criador para que este lhe crie uma companheira. Quando o cientista se recusa, o monstro o persegue, destruindo todos a quem Victor Von Frankenstein ama.

Em um século em que as descobertas científicas pareciam elevar o Homem a uma criatura capaz de dominar a natureza de acordo com seus desejos, Mary Shelley fez em Frankenstein um estudo sobre os perigos de se brincar de Deus, alertando que descobertas que nascessem da curiosidade ou arrogância humana, sem atentar para as consequências, poderiam se voltar contra a humanidade. Continua atual passados 200 anos da publicação.

Memorias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado a maior obra da literatura realista no Brasil, um movimento que buscava mostrar a vida como ela era, inclusive nos seus aspectos menos elogiáveis. Machado de Assis, além de ser considerado por muitos o maior escritor brasileiro e maior nome do Realismo em língua portuguesa, ao lado do português Eça de Queiros, é considerado o maior escritor negro de todos os tempos pelo renomado crítico Howard Bloom.

Memórias Póstumas de Brás Cubas abalou as estruturas da literatura não somente pela crítica ácida e amarga da sociedade brasileira e do ser humano, mas também pela sua narrativa inovadora, em que a história é contada por um morto, que do túmulo conta sua vida Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.

Os Sertões, de Euclydes da Cunha

Publicado em 1902, Os Sertões é o primeiro livro reportagem brasileiros, que narra a Guerra de Canudos, que Euclydes da Cunha cobriu como jornalista, enviado pelo jornal O Estado de São Paulo. Tão importante quanto a narração do conflito em que o vilarejo liderado por Antônio Conselheiro à frente de 25 mil sertanejos resistiu às expedições do exército, até ser finalmente derrotado e massacrado, é o estilo da narrativa.

Além da narrativa histórica, Os Sertões aborda temas de História, Geografia e Sociologia, em uma epopeia sobre a vida sertaneja que tem uma linguagem revolucionária, misturando termos científicos e eruditos com regionalismos e neologismos, palavras criadas pelo próprio autor.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

O título desse romance de ficção científica escrito em 1953 por Ray Bradbury se refere à temperatura em que os livros queimam, 451 graus Fahrenheit ou 233 graus Célsius.  Em uma crítica mordaz, Bradbury descreve perfeitamente como seria uma sociedade totalitária em qualquer tempo e lugar, que tenta controlar as informações e a maneira que elas circulam, para controlar também o pensamento e o comportamento das pessoas.

Fahrenheit 451 conta a história de Guy Montaug, que em um futuro distópico é um bombeiro. Mas nessa sociedade, sua profissão não é combater incêndios, mas queimar livros. Lá, a leitura é proibida e ter uma opinião própria é considerado um comportamento antissocial e egoísta. Qualquer pensamento crítico é duramente combatido.

Fahrenheit 451 foi escrito quando os Estados Unidos viviam o auge do macartismo, um período em que cidadãos americanos foram perseguidos por suas ideias políticas, não muito diferente do que acontecia na então União Soviética. Consta que em 2004, ao ser perguntado quem estava criticando, Bradbury, que morreu em 2012, respondeu: qualquer espécie de tirania, em qualquer parte do mundo, a qualquer hora, na direita, na esquerda ou no centro

Eu, Robô, de Isaac Asimov

Eu, Robô é uma coletânea de 10 contos do escritor russo Isaac Asimov que já haviam sido publicados em revistas de ficção científica entre 1940 e 1950 e estão todos interligados entre si: Introdução, Robbie, Círculo vicioso, Razão, Pegar o Coelho, Mentiroso, Pobre Robô Perdido, Fuga! Prova e O Conflito Evitável. Nesses contos Asimov enunciou as 3 leis da Robótica, que foram adotadas por outros escritores de ficção científica.

As 3 Leis da Robótica:

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2 – Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

3 – Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Embora Eu, Robô seja uma obra de ficção, as 3 leis da robótica parecem fazer sentido porque bebem da mesma fonte que o Frankenstein de Mary Shelley: Os fascínio que o progresso científico traz e o medo que a humanidade tem de ser superada e destruída pelas suas criações, um tema recorrente em muitos clássicos da ficção científica como 2001, uma Odisseia no Espaço , Matrix e O Exterminador do Futuro.

 

Vigiar e Punir, de Michel Foucault

Vigiar e Punir: O nascimento da prisão do filósofo francês Michel Foucault foi lançada em seu país de origem em 1975 e no Brasil, traduzida para o português pela primeira vez em 1987. Vigiar e Punir é considerado uma das mais influentes obras contemporâneas, analisando os mecanismos de controle do Estado sobre os cidadãos, das execuções bárbaras de séculos passados às prisões modernas, que buscam a ressocialização.

A mão esquerda da Escuridão, de Ursula Le Guin

Mais do que Tolkien, Ursula Le Guin elevou a fantasia à alta literatura, para o nosso tempo. Esse elogio do renomado crítico Harold Bloom, que não costuma elogiar aventuras de fantasia mostra o peso desse livro de Ursula Le Guin, lançado em 1969, que é considerado o .precursor da ficção científica feminista, e é considerado um clássico pela maneira inteligente com que aborda questões de gênero.

Nessa ficção ciientífca, o humano Genly Ai é enviado ao planeta Gheten para persuadir seus habitantes a se juntar ao Ekumen, uma confederação de planetas. Mas Genly, mesmo depois de anos de estudo, percebe-se despreparado para a situação ao entrar em contato com uma cultura complexa, rica, quase medieval e com outra abordagem na relação entre os gêneros.

O Conto da Aia e Os Testamentos , de Margaret Atwod

Os dois livros de Margaret Atwood contam a história da República Teocrática de Gilead, um EUA distópico,  onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Em O Conto da Aia, Offred serve como Aia na casa do Comandante e de sua esposa, onde uma vez por mês deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide. Mas Offred se lembra da vida de antes, quando tinha emprego, família e um nome.

Na continuação, Os Testamentos, apesar das tentativas de insurgência o Regime Teocrático de Gilead parece permaneces firme. É quando o leitor segue a vida de três mulheres que se entrelaçam através de seus testamentos. Uma privilegiada filha de um importante Comandante de Gilead, outra no Canadá, onde estuda, trabalha e participa de protestos anti-Gilead e uma terceira, uma das executoras do Regime de Gilead.

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