Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 13.02.2013 13.02.2013

10 elementos-chave na obra do mestre do suspense, Alfred Hitchcock

Por Carolina Cunha 
 
Uma mulher acorda no meio da noite, ao som do telefone. Ela se levanta e segue para a sala, sem saber que um assassino está à espreita, atrás da cortina. A cena do filme Disque M para Matar é uma das muitas que marcaram o cinema do diretor britânico Alfred Hitchcock (1899-1980).
O responsável por clássicos como Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta, Psicose, Os Pássaros e A Sombra de Uma Dúvida levou o gênero suspense às últimas consequências. Ao longo da carreira, ele aprimorou técnicas únicas que geram medo e aflição nas plateias, tornando-se um dos pioneiros no suspense psicológico.
Hitchcock começou no cinema mudo inglês e foi parar em Hollywood, onde construiu uma carreira de sucesso, influenciando diversas gerações de cineastas. Hoje, é considerado um mestre do suspense e está para a sétima arte assim com Kafka e Edgar Allan Poe estão para a literatura.
O SaraivaConteúdo levantou alguns elementos que são parte da marca autoral do diretor.
NÃO FALE, MOSTRE
É possível filmar o que os personagens estão pensando ou o perigo que os ronda? Hitchcock acreditava no impacto da imagem. Para ele, olhares, gestos e movimentos podem dizer muito mais do que diálogos explicativos, mostrando ao telespectador, de forma privilegiada, o que o personagem não viu ou o que ele realmente pensa e sente.
A ARTE DA MONTAGEM
O diretor aprimorou a técnica da montagem e elevou o seu potencial para narrar visualmente uma história. Na cena do chuveiro de Psicose, que dura 45 segundos, foram feitas 70 posições de câmera.
Segundo Hilton A. Green, seu assistente, Hitchcock “era um montador quadro a quadro. Ele se debruçava sobre um fotograma para descobrir o ponto preciso em que uma cena deveria ser cortada”.
ANGULAÇÕES E PONTO DE VISTA
No filme Janela Indiscreta, toda a trama se passa dentro de um apartamento, no qual o personagem espia a vizinhança. O telespectador assiste a tudo apenas com a visão dele, mas a câmera escolhe muito bem qual a exata atenção a dar para os objetos, janelas e close-ups para gerar a tensão necessária.
 
Cena do filme Janela Indiscreta, vista pelo protagonista
FALSO CULPADOS E FALSOS INOCENTES
Em A Sombra de Uma Dúvida, a mocinha descobre que seu gentil tio é um serial killer. Nos filmes de Hitchcock, herói e vilão passam por provocações morais. Muitas vezes, a bondade e a maldade convivem num mesmo personagem, revelando novas camadas psicológicas. Outras vezes, é o sujeito bonzinho quem precisa provar sua inocência. O espectador é convidado a entrar no jogo, tentando adivinhar as pistas e quem é quem.
STORYBOARD
O storyboard é um desenho que contém o plano de visualização da história. Hitchcock foi um dos primeiros diretores de Hollywood a usar a técnica. Ele planejava minuciosamente cada cena, ângulo e detalhe, num processo contínuo para conseguir o efeito desejado.
 
Storyboard da cena do chuveiro em Psicose
HUMOR
Fora das telas, o cineasta era conhecido como um sujeito gordinho e excêntrico, com um senso de humor macabro. Numa conversa com o cineasta François Truffaut, Alfred Hitchcock disse que, no mistério e suspense, uma abordagem jocosa é indispensável.
Em O Homem que Sabia Demais, um taxidermista tenta salvar seu peixe-espada enquanto luta com James Stewart. Essa é uma das muitas cenas burlescas que aparecem nos filmes do mestre.
UMA TRILHA SONORA DE ARREPIAR
Uma das parcerias mais frutíferas do cineasta foi com Bernard Hermman, responsável pela trilha de Psicose. A lendária cena do assassinato no chuveiro certamente não seria a mesma sem a melodia sinistra dos violinos do compositor.
Já na abertura de Um Corpo que Cai, a trilha criada por Bernard Herrmann faz uma boa dupla com a animação vertiginosa do designer Saul Bass, que mostra uma espiral hipnótica dentro do olho de uma mulher.
UMA MORTE ESPETACULAR
Poucos se esquecem do homem com olhos esburacados em Os Pássaros. Não basta ter um cadáver inerte. Para o diretor, a morte é um verdadeiro e cruel espetáculo. Ele dizia que a parte mais interessante de filmar um roteiro era a escolha do melhor jeito para realizar um homicídio. Queria filmar o crime perfeito.
 
Cena do filme Os Pássaros
MULHERES LOIRAS E GÉLIDAS
Alfred Hitchcock tinha uma queda por loiras. Atrizes como Ingrid Bergman, Marlene Dietrich, Grace Kelly e Kim Novak foram suas musas na tela. Apesar de sensuais, eram frias e reprimidas. O diretor também não tinha dó delas. Janet Leigh, de Psicose, passou frio em seis dias de filmagem para fazer a cena do chuveiro. Já a atriz Tippi Hedren foi enviada ao hospital depois de ser submetida a um ataque de aves reais, durante as filmagens do filme Os Pássaros.
APARIÇÕES DO DIRETOR
Hitchcock aparece como figurante em 39 de seus 52 filmes. O diretor já saiu de uma loja com dois poodles, entrou num trem com um enorme contrabaixo e foi o modelo de um anúncio de jornal que trazia um produto de emagrecimento.
 
Alfred Hitchcock em cena de filme, passeando com poodles
 
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